2 de setembro de 2020

Por mais que doa, escolha ver sempre a luz

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Eu fechei todas as portas e janelas de casa, sentei na poltrona azul da sala observando a chuva caindo torrencialmente, através do vidro da janela, e ouvindo o barulho, abafado pelo forro, dos seus pingos no telhado.

Eu vejo inúmeras lembranças sendo reproduzidas na minha mente como um caleidoscópio, e sinto como se o ar estivesse se extinguindo dos meus pulmões, embora haja ar suficiente e puro para inspirar.

A verdade é que ninguém nunca está preparado para ser machucado, muito menos quando a porrada vem de onde a gente menos espera, pior ainda de uma parte em que depositamos tanto amor.

Eu começo a lutar pelo ar, inspiro profundamente e vou enchendo meus pulmões e toda minha existência de uma verdade inegável: nada nunca mais será como antes. 

E preciso encarar isso da melhor maneira possível: com os olhos abertos a tudo o que posso aprender e com o coração bem guardado para a autocura.

É difícil viver em um mundo injusto e cruel, quando você tenta enxergá-lo sempre da melhor forma, mesmo quando ele te mostra todas as suas piores partes.

Acima de tudo, não se trata do mundo, mas de quem somos, em essência, apesar dele. 

E no momento, eu sou a chuva torrencial que molha o teto, eu sou as lembranças, a luta, eu sou o ar que preciso respirar... Sou eu sentada na poltrona azul que escolhi para combinar com as cortinas brancas, e também sou as flores que crescem em volta da minha casa para me manter protegida.

Eu sou tudo o que é capaz de manter minha sanidade e guardar minha essência: somente, eu mesma.

24 de agosto de 2020

Amizade é sobre brilhar, e respeitar a luz do próximo

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Sabe, amis, eu estava pensando sobre todos os conceitos de amizade que existem, e cheguei a conclusão que amizade é sobre brilhar e respeitar a luz do próximo, saber que há lugar para todo mundo ser você mesmo e ser amado por isso.

E foi aí que eu percebi que enquanto esses conceitos se transmutavam em minha mente, eu só lembrava de você. Eu quase ouvi a sua gargalhada aquecendo minhas mãos nesse friozinho. Tanto aqueceu que sentei pra te escrever.

Me desculpe não ter perguntado como você está no início da carta, como tenho costume, é que contigo eu posso ser direta, sem rodeios. E você também sabe que eu desejo que você esteja sempre bem e protegida por todos os anjinhos do mundo.

Eu quis te escrever pra te falar que a sua companhia é a única que tenho sentido falta durante os últimos onze meses, de forma especial esses últimos (os de isolamento social) porque você tem sempre a melhor parte de mim e me entende, cuida e respeita quando estou na pior.

Porém, mais do que isso: é porque eu sinto você abrindo caminho para eu passar, toda vez que fica difícil enxergar minha própria luz.

E porque eu te amo, não por quem você é pra mim, mas por quem você é. E essa parte tenho certeza que somente nós duas (as partes que importam) conseguirão entender.

Sobre a saudade: ela já me fez sorrir e planejar nosso próximo abraço, nosso próximo sorriso e gargalhada, nosso próximo dueto cantando Nina Simone, e nosso próximo vinho, não taças cheias de coisas sobre nossas vidas que são difíceis de engolir, mas cheias de sonhos, planos e projetos que já vimos, uma a outra, realizando, e os que ainda vamos comemorar.

Da próxima vez que a gente se ver: eu levo um vinho seco, um Martini, e a gente vai para alguma floresta ou praia, curtir a beleza de estar só, em plenitude.

Porque eu quero passar um tempo sozinha,
e você é a melhor companhia pra isso.



17 de agosto de 2020

Carta para você que está se sentindo sozinho

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Oi, como vão as coisas por aí? Tudo bem?

Posso te convidar a ficar o mais confortável possível? Sente-se ou se deite, beba um café quentinho, um chá, uma cerveja ou um vinho, beba o que preferir. E me escuta um momento.

Eu gostaria de poder te abraçar, te ouvir, saber como você se sente, dar colo ou meu ombro amigo, mas já que precisamos evitar contato físico, quero que você abrace a si mesmo e me imagine te abraçando e dando um beijo na sua testa, entre as sobrancelhas.

Seus olhos são lindos, sabia? Alguém te disse isso hoje? Com esse olhar você pode iluminar todo o mundo a sua volta, você sabia disso?

Por favor, saiba.

Saiba também que você é merecedor e digno de todo carinho e amor que existam no mundo, independente de qualquer erro que tenha cometido.

Saiba, principalmente, que mesmo nos seus dias mais tristes, você não está sozinho. Nunca. Como também não está agora.

Deita aqui, quer que eu te faça um cafuné?

Eu sei que, às vezes, fica difícil enxergar ou sentir qualquer coisa que não seja a dor sufocante de se sentir só, mas, por favor, olhe a sua volta, eu tenho certeza que você tem pequenas coisas pelas quais é grato, como a preciosidade do ar que preenche os seus pulmões.

Inspira,

Expira...

Inspira,

Expira...

Você quer assistir alguma coisa ou ouvir alguma música? E se nós dançassemos toda a noite como se fosse pela última vez?

"Última vez", hmmm...

Você notou como as pessoas parecem não ter aprendido nada? Mesmo depois de tudo o que estamos vivendo e enfrentando, continua sendo sobre os próprios interesses, ego e vontades, sem sequer olhar para o outro. Sem olhar para você.

Eu olho, viu? Olho mesmo, e por isso estou aqui para te dizer: mantenha-se firme, continue agarrado ao que você acredita do fundo do seu coração. Não precisa ser forte o tempo todo, você só não pode desistir.

Cuide de você, do seu corpo, coração, mente e espírito. Seja para você mesmo a sua melhor versão e, acima de tudo, ame como se fosse a última vez.

Se olhe, se cuide, seja a sua própria companhia, cante, dance, chore, beba, se ame. Ame. Viva!!!

Em breve, estaremos grudadinhos. Por agora, fique com as minhas palavras: eu espero que elas tenham te abraçado.

26 de junho de 2020

Eu sorri pra você

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iasmim Santos escritora casais


Você pode ler ouvindo Beyoncé - Disappear

Nós estávamos na cozinha, lavando a louça do café, você me segurou pela cintura com as mãos úmidas devido ao súbito desejo de dançar quando começou a tocar Elton John no rádio.

Nós dançamos na cozinha, ouvi os batimentos do seu coração quando encostei a cabeça, e o seu abraço me aqueceu.

Era uma noite chuvosa de agosto, você colocou as mãos nos bolsos do meu shorts jeans e beijou o topo da minha cabeça, elogiando meu penteado de tranças.

Eu sorri pra você.
Sabe, as pessoas não têm noção do que as pequenas coisas significam, o quanto elas importam ou como elas podem fazer falta.

Ainda naquela noite, você enrolou um dos meus cachos no dedo e me olhou nos olhos, com seus olhos castanho-mel, enquanto perguntava sobre o que era o livro que eu estava lendo.

Nesse momento, eu estava deitada no sofá com a cabeça no seu colo, fechei o livro e deixei as lágrimas escorrerem, enquanto você acariciava meu queixo.

Eu as deixei livres, porque durante muito tempo elas estavam presas, como uma torneira emperrada.

Eu te falei que estava tão feliz com o que tínhamos, e chorei ainda mais porque o filme do nosso relacionamento passou na minha frente, enquanto você olhava pra mim.

Eu não mudaria nada sobre aquela noite.

O seu carinho e cuidado, a sua boca doce e macia, a sua pele branquinha, até mesmo os pelinhos no seu peito, oh a sua cueca box salmão que eu amo, ou a sua camiseta verde de algodão, que vesti quando acordei de madrugada para escrever, porque senti um pouco de frio ao sentar na escrivaninha, próximo a janela, vestida na minha lingerie lilás que você adora.

Você lembra disso?

Me assustei quando você beijou meu pescoço, e me cobriu com o edredom, eu estava tão inerte no que escrevia que sequer notei você levantando e vindo até mim.

Eu esperava que você tivesse dito que eu precisava dormir, mas você apenas me perguntou se eu queria um café.

Então, eu sorri de novo.

É incrível como as pequenas coisas importam, e é indizível a forma como você me conhece.
E ama.

Não é?

* essa sou eu sorrindo, mais uma vez, para você *

29 de maio de 2020

O que aprendi, com os erros que cometi, depois de publicar três livros

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Eu errei em cada um dos três livros que publiquei, e eu me lembro de como me esforcei com cada um deles.

Me lembro de passar horas na frente do computador, digitando todo o manuscrito de poemas, descrições e falas do meu primeiro livro.
Na época, eu digitei todo o livro pelo teclado virtual, porque o teclado físico não estava funcionando.

Isso não justifica os meus erros de ortografia, gramática e a falta de imaginação tanto para o título do livro quando para a estória. Embora, essa ficção científica tenha me ajudado a enfrentar momentos difíceis da minha pré-adolescência, como também ajudou pessoas com problemas de depressão e ansiedade.

Eu amo a minha primeira obra publicada, ela me mostrou como sou capaz de fazer qualquer coisa que eu sonhe com o coração, e me dedique de forma igual. Como ela também me mostrou o que eu precisava melhorar para os meus próximos livros, o que eu fiz com o segundo.

Todos os textos (os contos e as crônicas) que continham nele foram escritos de coração, porque é de lá que minha inspiração vem. Dessa vez eu acertei um pouco mais: o título, os textos, inclusive a capa que eu ilustrei todinha a mão e depois digitalizei. O livro foi revisado por uma professora de confiança, mas eu pequei na divulgação nas redes sociais e em ter mantido a divulgação para apenas a minha cidade. Mas, ainda assim, eu fiz tudo com carinho.

Nessa época, eu já tinha profissionalizado o blog, e tinha conseguido manter um bom público ativo. O que foi ótimo para eu ser vista, até eu perder o domínio do blog e ter um bloqueio criativo durante meses, por coisas que estava vivendo.

Isso me machucou muito, porque, no fundo, a coisa que sempre fez quem eu sou, era a única que eu não conseguia fazer.

Depois de alguns meses, consegui voltar a escrever, poucas vezes eu conseguia gostar do que produzia, mas ainda assim, eu continuei até eu conseguir voltar a escrever e me ler sem ser tão crítica comigo mesma.

Na minha terceira publicação, eu cometi inúmeros erros, e no atual momento, eles estão me ajudando a fazer o meu melhor em cada palavra que escrevo. E ainda assim eu tenho muito o que melhorar.

Eu errei com o título do livro, houveram alguns erros ortográficos e gramaticais, foram poucos, mas foram fruto da minha autoconfiança de estudante de letras que já havia estagiado em sala de aula, eu acabei esquecendo a minha pouca experiência e que precisava do auxílio de pessoas em que confio.

Também, talvez eu tenha me exposto mais do que gostaria, mas, não pude evitar porque quando escrevi esse livro, eu estava bem e confortável de falar tanto assim sobre mim. Aprendi. 

Eu, na posição de leitora, sempre me pergunto se aquilo que o autor escreveu é real, sobre ele ou apenas imaginação, e é exatamente isso que acontecerá em cada pequeno texto ou livro que escreverei (porque eu vou).

Errei feio com o evento de lançamento, mas eu fiz o meu melhor, pensei sempre nos meus colegas que também lutam e precisam de oportunidade, um espaço para se apresentar. Eu fiz, pensando não em mim, mas em todos. 

Errei, inclusive, pelo meu ego de querer mostrar que eu poderia sim usar um vestido lindo em um lugar tão simples.

As coisas foram exatamente como eu imaginei, mas as coisas e planos que tenho pra mim, não são os mesmos sonhos, planos, muito menos o que Deus destinou pra mim.

Então, eu errei. Errei feio.
Até mesmo com cada uma das pessoas que me ajudou, direta e indiretamente. Sou eternamente grata, e eu poderia ter feito melhor.

A minha vontade de mostrar quão forte e capaz eu conseguiria ser, me fez falhar mais uma vez. De uma forma que eu me magoei, frustrei, decepcionei e me autocritiquei por meses, foi uma fase difícil.

Apesar de tudo isso, algumas pessoas (tanto jovens como eu, como meu próprio coordenador editorial) me viram como inspiração, porque eu consegui, eu fiz, corri atrás de cada pequena coisa, realizei mais um sonho. Eu fico feliz e quanto a isso: acredito que cada um de vocês é capaz, se fizer tudo com amor.

Eu não sei o que vai acontecer amanhã, ou daqui alguns dias, mas hoje eu pude, finalmente, falar comigo mesma sem ter mais uma crise de choro e, principalmente, escrever sobre tudo isso.

O isolamento social, a pandemia e a crise que estamos vivendo abriu meus olhos, mais do que nunca, para o fato de que: além de perdoar os machucados que fizeram em mim, eu preciso me perdoar por ter permitido que o fizessem, por todos os erros que cometi e por todas as feridas que abri em mim mesma.

Eu preciso, acima de tudo, me perdoar, mas eu não deixarei, nunca, de agradecer.

Afinal, se eu não tivesse vivido tudo que vivi, errado o que errei e acertado o que acertei, eu não estaria aqui e agora, vivendo o meu recomeço e pronta para dizer:

Eu não sou mais uma página em branco, mas, sim, o sexto capítulo de um livro (reticências) que ainda não pode ser aberto.

Mas, um dia, eu o abrirei.
Você ainda estará aqui, para ler?

29 de novembro de 2019

Em homenagem a tudo aquilo que eu não pude sentir #3

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Essa é a quarta vez que o telefone toca desde que acordei. Passo direto pela sala até a cozinha, ligo a cafeteira, e volto para atender o telefone.

- Alô?! - Digo.
- Finalmente. 
Escuto a voz já um pouco impaciente, e penso se escutei bem:
- Quem é?
- O Heitor. Não reconhece mais minha voz?
Quanta saudade. Penso.
- Quanto tempo. - Falo, indiferente, fingindo que o coração não tá pulsando na garganta.
Ele fica calado, e meu coração bate descompassado.
- Oooi? - Espero alguma resposta, mas não tenho nada.

Escuto alguém bater na porta.

28 de novembro de 2019

Em homenagem a tudo aquilo que eu não pude sentir #2

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/Reproduction Pinterest

Você pode ler ouvindo Selena Gomez - Back To You (Acoustic)


Escuto o telefone da sala tocando, e acordo assustada.
Sento na cama, vejo o Sol entrando pela janela do meu quarto, e tento entender o que aconteceu: eu havia sonhado mais uma vez.

Existem inúmeros sentimentos dentro de mim, e eu consigo lidar com todos eles, o que eu não suporto é quando apenas um, em específico, faz questão de fazer morada no meu peito, diminuindo, inclusive, o fato de que existem todos os outros.

Não gosto quando isso acontece, porque além de ser pega de surpresa, eu fico torpe por tempo indeterminado. Da última vez, foram cinco dias seguidos.

27 de novembro de 2019

Em homenagem a tudo aquilo que eu não pude sentir #1

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/Pinterest Reproduction



Eu queria ter chorado mais. Ter aproveitado o seu colo e o seu abraço, por todas as vezes que engoli o choro, quando podia ter desabado e me deixado ser acolhida por seus braços, que sempre me trouxeram segurança e fizeram-me sentir em casa.

Eu queria ter aproveitado cada pequeno segundo do seu lado.
Gostaria que eu tivesse percebido a imensidão que cada milésimo se tornava toda vez que você estava aqui comigo.

Eu queria ter gravado o som da sua voz, para que sempre que eu sentisse sua falta eu pudesse reproduzi-lo, para sentir um pouco o seu timbre próximo a minha orelha.