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Por hipérbole, e puro pleonasmo

28 de junho de 2016

Via weheartit
Você pode ler ouvindo Andra Day - Rise Up

Há um grande número de possibilidades quando se trata da efervescência que alguns sentimentos nos acometem.
O arrepio fino na coluna da alma até as falanginhas do coração.
O efeito borboleta no estômago.
Os dedos entre o racional, irascível e concupiscente, acariciando o hipocampo para controlar o caleidoscópio.
A necessidade incessante de apertar o bear bem forte para controlar os espasmos.
Os pulmões sendo preenchidos de oxigênio, enquanto o olfato capta os perfumes, os cheiros e decide qual aspirar e qual repelir.
O fechar das pálpebras durante alguns segundos para sentir com robustez, o piscar dos cílios, olhar profundo: um par de olhos castanhos refletido na colher que adoça.
O subconsciente sussurrando coisas que sempre quis ouvir, ou que nunca quis dizer.
A boca cheia de palavras, mas pende à preferência de cursar as letras num papel, numa folha, numa árvore. Por hipérbole, e puro pleonasmo.
Os pensamentos formam bolhas enormes dentro da água, esta ferve e evapora.
E tudo que eu queria falar era sobre como chá de hortelã me faz bem, mas, ah, o amor também.




Cara, eu preciso te agradecer

23 de junho de 2016

Via Rayanne Menezes

Você pode ler ouvindo Birdy - Wings

Muito obrigada pelas tardes em que você me abraçou forte pra ver se minha cólica diminuía, por quando jogávamos baralho no pátio do colégio, ou tocávamos músicas no violão, bem, eu tentava. Eu só sabia cantar Renato Russo e você só queria saber de Red Hot. Pelas vezes que você disse que se sentia a vontade pra se abrir comigo, ou quando me confortava com o som melódico do violão quando eu só queria gritar.

Pela vez que nos conhecemos e eu cheguei despojando meus poemas pra você ler, esperando que cê gostasse e entendesse, e mesmo não entendendo direito, você balançou a cabeça concordando, como se tivesse entendido.

Pelas tardes em que compartilhamos músicas, respeitando o gosto um do outro, por quando te fazia sentar e ler o que eu havia escrito, pra ver se tu ia gostar. Por ter me ajudado a compreender umas coisas, e consertar outras com teu abraço, mesmo que esporádico.

Pelas vezes que você sentou do meu lado e me ouviu falando sobre aquele cara como se ele fosse meu príncipe encantado, tu me fez cair na real e ver que não era bem assim, mesmo quando havia acabado de se emocionar me ouvindo ler uma carta que fiz pra ele.

Por quando você foi embora, mas me inspirou tanto que enchi um caderninho de frases e textos pra você em uma semana. Pelas vezes que você abusou de metáforas pra me ajudar a compreender algumas coisas, até aquela do copo quase cheio ou quase vazio, eu prefiro ele transbordante, viu?!

Pelas noites cantando no coliseu com nossos amigos, falando sobre corações partidos, tomando litros e mais litros de vinho pra ver se a gente se consertava ou se diminuía dor. Diminuiu okay? A dor foi bem menor contigo ao meu lado. 

Pela vez que rabiscamos algumas coisas na parede do coliseu, pra deixar nossa marca. Talvez quem senta ali não entenda nada, mas meia dúzia de pessoas entendem e é o suficiente pra meu coração sentir um pouco de vergonha por ter declarado amor assim, aos quatro ventos, enquanto estava tão machucado. Isso é bem a minha cara, não é? Amar doendo tanto.

Por me fazer sorrir contando que sonhou comigo, que estávamos assistindo algo na tevê e eu largava minhas pernas em cima de você (folgada que sou) e começava a mexer no celular.
Por me lembrar da pessoa que sou quando estou com a cabeça bagunçada, por me lembrar de quando eu disse, rouca, que você seria um livro no meu conto de fadas, é que eu gosto de ler a alma das pessoas, sabe, e eu leria cada parágrafo teu, da mesma forma que você me lê, mesmo não sendo fã de textos melosos.

Pelas vezes que você me deixou deitar a cabeça no teu colo, e me fez rir vendo uma peça teatral no teu celular enquanto eu estava partida de todas formas possíveis.
Pelas vezes que você mal abriu a boca pra dizer oi e já estava sorrindo pra mim, por confortar meu coração mesmo sem perceber. Quero agradecer por ser corpo que sorri e sorriso que abraça. E por me banhar dessa amizade que enche meu peito de paz, poesia e amor.

Eu te amo, cara, e sou muito, muito grata.

O baque não veio (mas eu sim)

9 de junho de 2016

Reproduction/Girl Interruped

Eu esperei pelo baque, mas ele não veio (ou ainda não).
Não que eu seja uma pessoa indestrutível, pelo amor de Deus, eu não sou! Se tem uma coisa que eu sou é destrutível, mas cada pedacinho de mim volta e eu me recomponho, mais bonita e muito melhor que antes.  

Eu continuo a mesma menina inocente, medrosa e sensível de sempre, mas com muitos adendos e um deles é a praticidade, mas como associa amor e praticidade? Seis dias atrás eu escrevi que o amor não é algo prático, mas eu sou, ou estou me tornando. E ainda assim sou amorcêntrica.

Por mais que meu coração queira e seja sempre tudo e mais um pouco, eu sei meus limites, até aonde ir e como chegar, de alguma forma eu sei. Eu imagino as coisas mais improváveis do mundo, mas sei até que ponto posso ir com minha imaginação, sei em qual momento a razão precisa tomar o lugar da emoção, e o fato de não existir um nós é uma delas.

Eu sempre soube, mas meu coração ignorava tal verdade, parecia sentir que em algum momento nós seríamos um emaranhado de nós que as pessoas sorriem ao observar, tentando entender como pode ser tão bagunçado e bonito ao mesmo tempo. E era assim que eu imaginava a gente: uma bagunça, eram tantas as possibilidades que acho que acabaríamos tentando abraçar tudo de bonito que aparecesse pela frente.

Porque, ora, sempre fui assim, amo com todo corpo, coração e alma, totalmente ativa. Depois quando me machuco, sempre dou um jeito de canalizar, como se eu fosse um papel rasgado em vários pedaços e eu reciclasse, usando para isso ou aquilo de extrema importância. E eu não entendo meu medo de me machucar (embora seja pequeno), já que eu sempre saio mais forte, mais bonita, mais sorridente e muito mais alma que antes.

Dizem que pra crescer, eu preciso escolher:
É você, amor.
Ou você, praticidade.

Se eu ficar comigo, ninguém vai me julgar se eu abraçar os dois, não é mesmo?
Alguém que ouse.

Série: Amiga, obrigada (5)

Via google+

Você pode ler ouvindo Marcela Taís - Conselho de amiga

Obrigada por ser um pedacinho de mim, por procurar me conhecer mesmo depois de ouvir tantas pessoas falando o quão eu era chata e insuportável, e depois se retratar falando que era muito grata por ter me dado uma chance e deixado de ouvir os outros.
Muito obrigada pelas noites em que você disse que estava orando por mim, que estava com saudade, e contávamos juntas os meses desde o último abraço, então me abraçava mesmo sem estarmos juntas, por me fazer chorar te ouvindo cantar e dizendo coisas que inundam meu coração de paz.
Pela tarde em que cantamos a plenos pulmões que “mentir é fácil demais” depois de tomarmos umas garrafas de vinho, me fazendo rir sabendo que meu coração estava ofegante e dolorido. Por me ouvir falando, noite adentro, sobre meus sentimentos e a profundidade em que eles podiam me levar, me abraçando ao ver que eu estava lutando pra conter o dilúvio.

Pelas noites cantando música comigo, ou pedindo que eu me acalmasse porque minha dancinha estava passando dos limites. Por ter ficado com o “ka-ka-ka-kawaii” na cabeça de tanto ouvir Hello Kitty da Av comigo.
Pelas panelas de brigadeiro que dividimos tentando engolir os problemas do dia-a-dia, ouvindo Evanescence, desejando congelar o tempo nesses momentos, quando estávamos com os corações cheios de esperança. Quebrados, mas cheios de esperança.
Pelas noites em que você me mostrou que independentemente do que acontecesse, você estaria lá segurando minha mão, ou aguentando a dorzinha de quando eu apertava seus dedos de tanto nervosismo.

Por quando você precisou ir embora, mas sempre ligava pra ouvir minha voz e acalentar meu coração.
Pelas Skol Beats que dividimos no teu aniversário e como dançamos como se fossemos as dançarinas da Beyoncé. Pelas madrugadas conversando sobre o amor e o que ele pode nos proporcionar, por tirar umas fotos malucas comigo e ainda assim dizer que ficou boa. Ficou mesmo, viu?! O lado mais louco de ti é o que mais amo.
Pelo meu aniversário de quinze anos, onde dançamos give me love coladinhas, pela cobertura do bolo que enfeitou nossa cara, fazendo a melhor foto de todas.

Pelas noites em que você me aturou cutucando tua cintura quando cê já estava cochilando, e por, no dia seguinte, dizer rindo o quão somos lindas ao acordar. Por ter me encorajado a dizer meus sentimentos e descobrir onde aquela história ia acabar, por quando te acordei no meio da noite e me joguei em cima de você, chorando, soluçando, enquanto você me fazia cafuné, pra ver se me acalmava, porque eu tinha acabado de descobrir que a história ainda não tinha acabado e eu continuava presa na montanha-russa.

Por quando eu escrevia musiquinhas e você sentava comigo pra dar uma melodia, por ter me feito escrever que a minha terceira opção era você. Não namorando, nem sozinha, mas você.
Por quando escrevemos juntas como se fossemos um casal lésbico totalmente apaixonado, por quando eu comentava sobre aquele moço e você dizia que se ele quebrasse meu coração, ia cortar ele com meus pedacinhos. Por me ver tirar um monte de foto com a camisa dele, e dizer que ele ia ficar da cor da camisa de tanto apanhar se me machucasse.
Por me fazer entender que algumas coisas precisam ser problematizadas para que façam algum sentido.
E por causa daquele noite chuvosa, onde cada uma estava com o coração em mil pedacinhos e você disse que se pudesse colocaria a felicidade numa caixinha e me daria de presente. Mal sabia você que a maior felicidade que você podia me dar, já havia me proporcionado no momento em que se tornou minha amiga.
Obrigada, você é a melhor parte de mim que amei conhecer.

O amor não é algo prático

3 de junho de 2016

Reproduction/Girl Interruped

Bom, é preciso levar em conta que eu ainda não tive tempo de respirar e perceber como isso vai me afetar de verdade, eu não sei como eu vou lidar com isso, porque o baque ainda não teve a proporção que eu sei que vai tomar, talvez pelo cansaço físico e desgaste psicológico que tenho enfrentado nos últimos meses. São muitas coisas, e essa é algo que merece atenção especial, eu sempre dou prioridade as coisas do coração.

Estive pensando sobre como crescer sem perder a essência, sem deixar a criança que existe dentro de mim ir embora, porque essa parte, sensível, é a melhor de mim. Não quero me tornar uma pessoa seca, agreste, que não tem tempo pra pensar sobre a vida de forma poética. Eu quero viver a poesia que é a vida, da forma que sempre vivi, mas, ciente, claro, de todas as responsabilidades que o tempo traz.

Eu preciso sim me preocupar com minha alimentação que está um zero a esquerda, preciso dormir mais, planejar meu tempo, cuidar dos afazeres de casa, pensar numa forma prática em ajudar meus pais nos problems em casa, correr atrás das coisas de cunho escolar, do trabalho, coisas práticas como organizar documentos, manter sempre o uso de apenas uma caneta para evitar desperdícios... Têm muitas outras coisas que preciso me preocupar. E todas precisam de um cuidado especial.

Preciso focar nas coisas que realmente importam pra mim, mas como se foca em algo quando tudo que você faz é importante? Fazer estas coisas com todo o empenho, dedicação e possíveis adendos é desgastante, porém necessário. Crescer e ser adulto é isso? Ter que lidar com todas estas coisas e procurar priorizar por importância?

Pra mim fazer todas estas coisas, preciso fazer com amor, que não é algo prático, não está disponível ao meu tato, não posso organizá-lo numa caixinha, onde minhas experiências estão ordenadas por ordem alfabética e data. Preciso lidar com isso. Lidar não, preciso sentir isso. Sentir e canalizar, ciente de que eu não posso abraçar tudo.

Não é assim. É tipo, estar no trabalho sentindo um alvoroço interno, algo entupindo minhas veias, mas precisar canalizar, tentar focar em estratégias, formas de administrar meu tempo, desempenho e vontade, porque o amor não é algo que você escolhe, ele está lá, quer você queira ou não.

Por ora, estou abraçando tudo o que posso e não posso, procrastinando esse sentimento. Porque ele me faz sair transbordando por aí, ele faz eu me enfiar na semana, no mês, no ano, sem perguntar se a pessoa está pronta ou não pra lidar com isso. O amor me faz não me importar, ele faz com que eu esteja sempre jogando tudo em cima das pessoas, e depois fique assistindo-as desnorteadas, e eu... acho que um pouco mais destruída, e um pouco mais forte.

Eu sei que tenho que pensar de forma prática em relação a isto, talvez eu esteja fazendo isso agora, mas em algum momento, eu vou ficar baqueada, vai acontecer. Espero que ninguém esteja por perto para assistir.
IASMIM SANTOS
LAYOUT POR LUSA AGÊNCIA DIGITAL