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23 de julho de 2018

Mar e Águas-Vivas



Você pode ler ouvindo - Oriente - Linda, Louca e Mimada


Fico deitada na canga, pegando um bronzeado para ficar com a marquinha do biquíni depois, tomo um gole de  Skol Beats e outro de suco de abacaxi. E nesse momento  adiciono uma nota mental: de vez em quando não faz mal  tomar um drink ou dois.

- Meu bem... – Escuto uma voz conhecida me chamando.

Eu descobri minha ligação com o mar faz alguns anos,  sabe. É algo forte, acho que se todas as pessoas parassem para senti-lo, entenderiam o que me acontece: embora eu não saiba nadar, nunca me afoguei, eu sempre fui banhada,  ensopada de poesia, o mar me abraça de uma forma doce, mesmo quando acaba me puxando.

- Eu te amo, moça, você me entende, me sente. Faz mal querer perto quem amamos? – E eu sempre o escuto me dizendo isso.
- Eu também te amo, seu Mar, só que eu tenho umas coisas para realizar e coisas para dizer, você pode me esperar mais um pouco?
- Quando você vem me visitar de novo?
Nós sempre devemos ter tempo para quem amamos.
- Por isso sempre tento ter tempo para mim, pra poder vir aqui, me amar e amar você.

E ele me banhou de novo. Uma das coisas que mais gosto nele é como as suas ondas são pacientes, mesmo quando violentas, porque é como o processo de cura de alguma ferida: você precisa limpar, passar álcool, esperar cicatrizar, tirar cascão, cicatrizar de novo até sarar... é um processo doloroso, mas vale a pena.

As pessoas têm medo da dor, fazem de tudo para não senti-la, seja física, psíquica ou espiritual, nós nunca queremos que doa. A primeira vez que tive na praia, meus tios pegaram minhas mãos e meus pés e me jogaram dentro d’água, eu  tinha medo porque pra mim eu ia ser levada pela maré, as ondas iam me derrubar, eu ia me machucar e ia doer, hoje em dia está tudo bem se essas coisas vierem acontecer, porque eu me permito doer, afinal, coisas bonitas machucam.

Você quer um amor? Vai ter que lutar por isso.
Você quer que as pessoas te ouçam? Vai ter que rasgar as cordas vocais do orgulho, egocentrismo e egoísmo e aprender a falar docemente, de forma que cative-os.
Você quer que eles te leiam? Vai ter que destroçar a alma.
Você quer tocar uma água-viva que é linda e tem sua cor predileta? Vai ter que se queimar. E foi com ela e com o Mar, que eu aprendi que vale a pena doer.

Coisas que nos enchem de vida valem o risco.

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