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15 de julho de 2018

Discurso sobre o nosso amor

Via Tumblr
Você pode ler ouvindo Ariana Grande - Moonlight

- Nos conhecemos numas aulinhas de música com o professor Levi, há mais ou menos oito anos atrás, e quando eu conheci aquela garota insuportável, que nunca olhava pra ninguém, e falava cheia de comedimento nos lábios, fiquei surpreso porque assim, de cara, eu gostei da peça: ela era puro mistério, era cara de “esconde-esconde”, e eu queria descobrir porquê. Sabe que era até bonitinho como ela olhava de canto pra mim? Depois de umas duas semanas, eu consegui tirar umas palavrinhas bonitas da boca dela, ela disse “eu te odeio, menino” e eu me acabei de rir. Mais ou menos um ano depois, ela me beijou. - Eu estava sentada numa das mesas do salão, observando sua versão da nossa história. – Acho que foi o primeiro beijo dela, porque eu fiquei todo babado – ele me olhou rindo uma daquelas gargalhadas mudas, e eu estava boquiaberta. – Brincadeiras à parte, a forma como ela não sabia o que estava fazendo foi fofa. Juro nunca ter beijado uma garota tão delicada como ela. E hoje mais cedo, antes de vir pra cá com minha bela esposa – ele deu um risinho, me olhando – observei-a sentada, na cama, de olhos vendados, mordendo o lábio de ansiedade, e pensei “onde eu estava com a cabeça que não casei com ela antes?” À ela. – Ele concluiu, levantando a taça no ar, e todos os demais fizeram o mesmo.

Ele veio até mim, deu-me um beijo na testa e me guiou até a mini escada, entregando-me o microfone:
- Faça as honras.
- Primeiramente: eu não babei, seu maluco! – Todo mundo caiu na risada. – Bom, eu lembro de como Fábio sempre que podia passava lá na frente de casa tarde da noite, mas uma, em especial, porque ele estava me chamando do lado de fora, e eu no quarto pensando numa forma de ir falar com aquele menino insuportável, e vó virou pra mim e disse: nossa, quanto amor! Eu fiquei de cara emburrada pra ela, até que eu fui falar com ele, e voltei vendo estrelas porque o mocinho fez o favor de me roubar um beijo. Eu nunca falei disso antes, mas eu quis que ele tivesse roubado dois. Toda vez que ele vinha me ver era como tirar um pouco da essência do que está guardado, como a gama de sentimentos que ele põe na música quando canta, ou a melodia da flauta saindo de seus lábios...

Desde que comecei a falar o discurso (que eu não havia preparado), estou evitando olhar pra Fábilo, porque a mera menção de vê-lo olhando pra mim, enquanto falo dos meus sentimentos, assim, em público, me deixa desnorteada.

– É como quando vamos fazer o café: pra ter gosto precisamos usar a essência, usar o pó, que já foi tratado e cultivado antes de chegar ao nosso domínio, determinamos se o queremos forte ou fraco, mas sempre tem gosto. E o gostinho vai ficar na boca até você se acostumar e precisar daquilo todo dia assim que acordar, um menorzinho: uma boa dose de sentimentos. Talvez cê tente largar o vício, mas um dia volta, sempre foi assim, não vai ser diferente. Eu sou parte desse vício que é a ausência de saudades entre nós dois, e eu sou sua, sr. Soren. E espero continuar sendo quando minhas mãos não apertarem as suas com a mesma força de agora, quando meu cabelo não for tão negro quanto agora, quando meus lábios, olhos e sorrisos não forem mais tão bonitos quanto hoje. Eu sou sua, simples assim. E vou continuar te amando com todas as brigas que hão de vir, com cada pedacinho de mim, porque eu mereço cara, você sabe, e eu te amo muito.

Todas as pessoas aplaudiram, e eu procurei por Fábio onde ele estava sentado, mas ele não estava lá, me senti meio desapontada. Pra onde ele teria ido?


Então eu senti duas mãos se enroscarem na minha cintura, me virei e ele me beijou.

Obs.: Texto retirado do livro (shhhh... Segredinho!) que será lançado em breve :)