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De mim... para eu mesma

21 de dezembro de 2018


Você pode ler ouvindo - Britney Spears - I'm not a girl, not yet a woman


Hoje eu queria você aqui, pra eu deitar minha cabeça no teu colo, olhar o céu azul, ver os passarinhos e ouvir o cântico deles, sentir teu cheiro de casa, seus braços que sempre foram meu lar, abrir a torneira e deixar a água correr, como nunca antes. 

Até porque eu nunca fui de me segurar, reprimir meus sentimentos, deixar que o mundo me cale, e os acontecimentos me amordacem.

Eu sempre estive aqui, disposta a cair como os pingos de chuva de fim de tarde ou como uma chuva torrencial no meio da noite. 

Sempre fui a melodia do piano ou o solo de uma guitarra, quando eu tinha que ser. Quando eu precisava ser. Eu sempre senti. 

Mas, é aquela velha história, os anos pesam, a pressão é como o peso de um arranha-céu nas costas e o mundo vai mastigando todos os nossos sentimentos, a nossa humanidade. E hoje eu preciso vomitar, pôr tudo pra fora, porque eu não aceito mais viver na superfície, olhando o horizonte, quando o meu lugar sempre foi lá.

Eu me afoguei quando eu sempre fui o mar, deixei minhas raízes secarem quando eu sempre fui chuva.

E eu preciso tanto te falar, preciso imensuravelmente de você.
Porque com você tudo está certo, tudo está bem, no seu devido lugar, eu consigo ser eu mesma, e consigo não deixar que o mundo me mastigue e cuspa sempre, todos os dias, a cada minuto, com qualquer pequena coisa. 

Porque você tem colo de mãe, irmã, amiga, avó, porque o seu aconchego cheira a paz, porque a metade de mim precisa do inteiro que você é, e a menina que vive aqui precisa olhar nos seus olhos castanhos refletidos no espelho mostrando que tudo bem ser metade, às vezes. Tudo bem ser pequena, fraca, frágil e dependente de vez em quando.

Mas, a parte mais importante é quando seu sorriso me mostra que tá tudo bem em sentir dor, sofrer, mexer na ferida, sentir a dor de estar com a torneira quebrada, e remenda-la só pra que eu saiba que eu também sei ser forte, e me reconhecer nos meus olhos castanhos refletidos no espelho.

Porque a menina que existe em mim, ama ver a mulher que eu sou. Forte e torrencial. Humana, afinal. 

A menina que existe em mim adora sentir o horizonte, e saber que aqui sempre foi o meu lugar.  



IASMIM SANTOS
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