30 de março de 2019

Seja gentil consigo

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Você pode ler ouvindo Tiago Iorc - Dia Especial


Não seja tão cruel com você mesmo, os dias já são difíceis, o mundo grande e injusto, e as pessoas egoístas demais para pensar na felicidade do outro.

Você é tudo o que você tem, então se trate com mais carinho, se veja com olhos dóceis, sorria mais para você, brinque mais com os seus defeitos, se aceite como você é.

É complicado para quem está dentro da situação, mas para as pessoas que estão de fora, vendo claramente o que está acontecendo, mesmo não sabendo realmente nada, é fácil dizer ou querer te colocar no colo, encher de carinho, e esperar que possa diminuir um pouco o baque, pelo menos por algumas horas. Porque está nítido que é isso o que você está precisando.

Eu estou falando sobre você respeitar a sua humanidade, respeitar que você é um ser um humano, de carne e osso, que comete erros, e está tudo bem. Respeite o seu momento, o seu coração, aceite estar aqui, agora, e sentir o que você está sentindo.

Seja quem vai estar lá por você mesmo, quando ninguém mais estiver. E, apesar de qualquer coisa, seja grato.

Seja grato por cada novo dia, sinta o Sol nascendo dentro de você, sinta a chuva torrencial ou a garoinha de ser quem você é, seja grato por tudo o que acontece a sua volta, pelo que você ganha, pelo que você perde.

Seja grato pela vida, grato pelos sonhos, grato por si. Por existir, por ter um sorriso bonito mesmo depois de tudo o que você já passou.

Tudo bem querer sumir, às vezes, tudo bem você sentir o luto de cada pequena coisa perdida, tudo bem você deixar-se sentir tudo, em sua íntegra, só não se machuque tanto, não mais do que os fatores externos já o fazem.

Seja a sua cura, seja você a pessoa que te põe no colo, e te faz o melhor cafuné, te enche de carinho, te faz se sentir bem. Seja você o seu carinho, o seu amor.

Porque, mesmo em tempos como esse, de egoísmo e crueldade, a gente colhe o que planta, então se plante, se regue com carinho, aproveite o sol, aproveite a chuva, a sombra fresca, aproveite todos os seus momentos e sentimentos, que você florescerá amor.

25 de março de 2019

@zeze

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via reprodução google
Na maioria das vezes as noites são frias, e eu já me acostumei com o medo.
Eu nunca sei quando vai ser o meu último dia, sabe, então eu vivo cada dia como se fosse o último mesmo, me apego às pequenas coisas que vejo ou que me veem, como um pombo que se aproxima para comer os farelos dos farelos que eu como, ou quando alguma criança me olha com um olhar de pena.

Certa vez, uma menina andava de mãos dadas com a mulher que devia ser sua mãe ou tia, irmã, não sei. Elas passaram por aqui e a menina cochichou alguma coisa com a mulher, quando me viu, tirou um ursinho da bolsa e me deu. Foi meu primeiro e único brinquedo. Agradeci a ela e baixei a cabeça, escondendo as lágrimas que escorriam no meu rosto. Ele era rosa, com um casaquinho branco e coraçõezinhos rosas. Hoje ele está bem surrado, sujo e fede um pouco. Coisas que não me incomodam, porque esse também é o meu estado atual.

Às vezes, se eu der sorte, consigo que alguém me veja, me perceba, e não me ignore como a maioria das pessoas fazem, como aquela moça que trabalhava na padaria aqui perto, e toda vez que ela saía do trabalho, desde que ela me viu, ela me trazia algum pão e um suco ou água, como as outras vezes em que ela sentou comigo e leu pra mim, me trouxe um casaco, e dias depois começou a me ensinar a ler e escrever. Faz muito tempo que não a vejo.

Então, as minhas noites tem sido mais frias do que antes, já que um dos caras que vive na rua, acabou roubando meu casaco, as últimas semanas têm sido de bastante chuva, e o papelão só ajuda quando está seco.

Sempre que rezo, converso com Deus e pergunto a Ele porque as coisas são dessa forma, como tantas pessoas podem ter tanto ou ter alguma coisa, e eu não ter nada... Uma casa, com uma cama aconchegante, um travesseiro e o carinho de alguém que pudesse me proteger e me curar de todas as coisas que o mundo já me fez.

Mas, eu só observo o brilho das estrelas ou os raios do sol e agradeço a Ele por ter enfrentado mais um dia, ou por ter conseguido passar a noite salva e poder acordar, porque muitas pessoas não puderam usufruir dessa dádiva.

Sinto o estômago reclamar mais do que o normal, a última vez que comi algo foi hoje de manhã bem cedo, junto com os pássaros na praça. Reviro o grande balde de lixo, procurando algo para comer, encontro uma caixinha de suco de laranja, que por sorte ainda tem um pouco do líquido, e restos de algum lanche que deveria estar muito gostoso quando foi preparado.

Como, sinto o estômago reclamar, e tomo o suco, para molhar a boca e fazer os pedaços do pão descerem pela garganta com menos dificuldade, porque embora eu já esteja acostumada com a minha realidade precária, meu corpo sabe que eu não mereço tudo isso, as coisas não deveriam ser injustas dessa forma.

Sinto umas gotas d'água molharem meu cabelo, nariz e ombros, olho para o céu e percebo que vai chover, preciso encontrar algum lugar para me abrigar, algum lugar que deveria ser um lar, uma casa, com um teto, portas e janelas para me proteger dos perigos da rua, todos os que já sofri, os que conheço e aqueles que peço a Deus para nunca precisar conhecer.

Será que um dia tudo isso será diferente? E se eu não alcançar essa diferença tão esperada, espero que esse mundo justo e melhor possa existir um dia, por todos os outros que também estão nas ruas, arranhando a superfície da sociedade, sofrendo, com frio e fome, famintos por uma realidade boa para todos. Como eu também estou.


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P.s: Eu conheço a Zeze desde 2013, ela é uma personagem que eu criei para uma apresentação teatral que tinha como tema as mazelas dos moradores de rua.
Tive a experiência incrível de interpretá-la e abri a peça de teatro (A Rua da Vida) comendo lixo, óbvio que era um lixo que eu mesma tinha "preparado", fora o terceiro e último dia de apresentação em que colocaram lixo de verdade e eu quase vomitei no palco, mas engoli tudo do mesmo jeito.

P.s2.: Você está lendo um texto do projeto MONDAY - Conte sua história e ela virará poesia.
Vocês podem me mandar um email: iasmim.luce@hotmail.com
Ou falar comigo na página do Facebook: Escritora Iasmim Santos
Vou adorar ouvir e escrever sobre a história de vocês!

24 de março de 2019

Deixe sua luz brilhar!

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let your spirit glow


Você pode ler ouvindo Demi Lovato - LionHeart

Deixe sua essência livre. Se permita ser exatamente quem você é, não tenha medo, deixe sua luz brilhar.

Eu sei que é difícil ler essas coisas e acreditar nelas, eu mesma estive incrédula esses dias porque estava passando uns perrengues (afinal, quem não está?) e uma amiga disse que eu sou luz, e eu custei a acreditar.

Cega, vendo as coisas como um borrão, sentindo tudo como se levasse socos em diferentes partes do meu corpo, sem sequer dois segundos para me recuperar do último golpe, e ouvindo o barulho ensurdecedor da minha mente, que tenta sobressair sobre qualquer palavra de esperança.

Você também se sente assim, e eu gostaria que você respirasse fundo por dez segundos, porque preciso de sua mente limpa para que você possa me ouvir claramente.

Ninguém nunca disse que seria fácil, mas nunca imaginamos o quão difícil podia ser, ou quanto a nossa força e habilidade de se manter firmes seriam testadas, mas os dias têm sido bastante complicados. Para todos nós.

Eu não sei o que acontece contigo, não sei qual o motivo da sua dor e ou descrença, ou se você tem amigos para conversar e diminuir um pouco o nó que fica na garganta quando você segura o choro e engole tudo em seco.

Mas, o que eu sei é que você é uma pessoa incrível e merecedora de todo o amor, a paz e a felicidade que existam no mundo.

Não deixe que os fatores externos afetem quem você é, a sua essência. Se mantenha firme, continue acreditando, mesmo quando for difícil, mantenha a sua fé. Deixe a sua luz brilhar, mesmo que você chore com todas as coisas que estão acontecendo no mundo. Se mantenha firme, mesmo que já tenha perdido muitos pedaços de si para chegar aonde está e ser quem você é.

Ame, acima de toda e qualquer coisa, porque nós nunca sabemos quando a nossa luz ou a das pessoas que amamos vai se apagar.

Se mantenha firme.
São tempos difíceis, mas não perca quem você é, nós nunca sabemos quando somos a luz no fim do túnel de alguém.
Obrigada por brilhar.

17 de março de 2019

Vibre pelo outro!

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Vanessa Ponce De Leon, Miss World 2017, e suas colegas comemorando a sua vitória



Essa foto apareceu inúmeras vezes no meu feed do Facebook e Instagram essa semana, até que finalmente eu me entreguei e decidi escrever sobre o que ela me fez pensar.

O mundo e as pessoas a nossa volta nos criaram para termos uma natureza egoísta, não se importar, não sentir, não ter empatia, não ser altruísta, e lutar com todas as nossas forças para conquistarmos um lugar no mundo, uma posição boa, um bom emprego, uma boa reputação, ser conhecido e bem visto, mesmo que muitas vezes algumas pessoas acabem pisando umas nas outras. Triste, mas é a nossa realidade de todos os dias.

Pessoas que sentem, se importam e estão aqui para os outros de peito aberto, sofrem com isso. Porque é preciso lidar o tempo todo com pessoas pisando, humilhando, dizendo que você não é capaz, não pode, e ainda assim manter-se íntegros e invictos na própria essência, a de ser alguém ímpar.

Quanto mais o tempo passa, fica mais difícil encontrar pessoas que se importam umas com as outras, que demonstram o que sente, e doam o colo, o ombro, o abraço, que se faz morada para alguém sozinho. Fica mais complicado com o passar dos dias, e temos nos tornado pessoas amargas umas pelas outras, primeiro porque nos permitimos nos rebaixar a tais sentimentos, e segundo porque estamos desaprendendo a vibrar pela felicidade do outro.

Cegos pelo egoísmo e, muitas vezes até pela inveja, não comemoramos a conquista do nosso próximo. Porque queríamos que fosse conosco, "podia ser comigo", "era pra ser eu" ou até mesmo "como ela consegue?" É simples.

Faça por você mesmo o que ninguém faz e da forma que ninguém nunca agiu. Faça as coisas com teu coração, com amor, se doe inteirinho e não espere nada em troca, eu nunca ouvi falar que as pessoas que se doam perdem algo, mas sim quem não sabe receber.

Então, doe o seu melhor. Seja na vida das pessoas a sua volta alguém que você gostaria de conhecer e ter perto, mesmo que o mundo e as pessoas te mostrem ser perda de tempo, desgaste, ou uma ideia tola que você leu ou ouviu de uma pessoa tão tola quanto a ideia.

Você é responsável por tudo que atrai. Atraia sentimentos bons, lembranças doces, crie uma realidade totalmente diferente da que você vê. Abrace mais, beije mais, cuide, mantenha perto mesmo quando estiver longe, deixe ir quando machucar... Se permita ser e sentir tudo o que tiver aí dentro do teu peito, seja a mudança que você quer ver, afinal.

Abrace mais a realidade em que você é luz, mas não se coloque no lugar do Sol, e respeite o lugar de cada um no mundo. Quando eu olho em volta há espaço o suficiente para todos, não queira tudo pra si. A felicidade do outro deve ser motivo do teu sorriso também, e nós estamos nesse mundo apenas para multiplicarmos o amor do qual viemos.

Imagina que louco, se todo mundo vibrasse na mesma sintonia com a conquista pessoal do outro? Já pensou em um mundo assim? Sem egoísmos, machucados, pessoas amargando pessoas... totalmente o contrário?

Faça a sua parte. Estou tentando fazer a minha.
Abraço, de quem ainda é faísca.

14 de março de 2019

Modelo Mirim Maria Clara Xavier

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Fotografia de Mônica Mota, Model Club Agency.

Olá, como estão? Tudo bem? Espero que sim! ♥

Hoje, pela manhã, tive o prazer de entrevistar a Maria Clara, juntamente com a sua mãe, Sandra Xavier, para falar um pouco sobre ela (Clara) e o seu trabalho, porque além de ser uma garota educada, meiga e linda, também é uma modelo mirim, e achei válido falar sobre ela aqui, para vocês.

Vocês já perceberam que eu não tenho costume de usar fotos de crianças em nenhuma das minhas postagens, não é? Justamente para não expô-las.
Então, antes de mais nada, quero esclarecer que: todas as fotos utilizadas aqui nesse post, estou fazendo com a permissão oral e escrita da Sandra Xavier, mãe da Maria Clara.

A Clarinha tem somente 9 anos e atualmente trabalha na Agência Model Club Agency de Salvador. Com o decorrer da postagem, vou colocar algumas fotos aqui, e também vou deixar os contatos dela caso alguém queira para futuras parcerias.


Model Club Agency


Durante a entrevista, conversamos sobre ela, o que gosta de fazer no seu tempo livre (que, claro, como a maioria das crianças, é brincar, no caso dela ou de boneca ou de pular corda), como tem sido a experiência de trabalhar na agência, ela ainda ressaltou sua preferência ao estúdio fotográfico do que as passarelas.

Ela foi descoberta em setembro de 2017, em uma convenção organizada por Diego Comarella, em Salvador com várias agências, onde as mesmas estavam fazendo seleções de novos modelos. Assim, passando pelas etapas de seleção, ela começou a trabalhar na Model Club Agency.

Seu primeiro desfile foi em dezembro de 2017, ela já participou dos desfiles de cada estação, através da mesma agência.


Model Club Agency
A Clarinha também disse que gosta de trabalhar como modelo, porque ela desfila, brinca com as outras meninas, tem a atenção da Mônica Mota (a produtora, maquiadora e fotógrafa), do Miguel Ângelo (o professor), e os demais integrantes da agência.


Fotografia Mônica Mota

Sandra, a sua mãe, me falou como ela gosta de fazer vídeos, e me mostrou alguns.
São vídeos aleatórios, sabe, de coisas que ela faz, momentos, por exemplo, o dia em que ela foi para a praia em Itacaré e gravou vídeos falando sobre a importância de cuidarmos da natureza, e outro em que ela fala sobre os nossos cuidados pessoais, como por exemplo, uso do protetor solar, óculos de sol, chapéu, tomar cuidado com as partes fundas da água caso você não saiba nadar (rsrs), coisas assim, sabe... A Clarinha além de ser meiga e doce, é hiperativa e super comunicativa.

Você pode conferir esses vídeos no seu instagram: @clarinha.xavier

No fim da nossa conversa, ela me falou que o seu sonho é realmente crescer e evoluir mais no mundo da moda, em especial, nas passarelas. Eu só posso ficar aqui e torcer que dê tudo certo, porque talento, presença e carisma, ela tem de sobra!

E agora mais algumas fotos (todas as fotos são da Agência Model Club Academy) para admirarmos o trabalho dessa linda:



Maria Clara e Lawrran Couto (ator que faz Guilherme em As Aventuras de Poliana)

Maria Clara e Raphael Sander (ator que interpreta Gabriel na novela Jesus)




Contato para parcerias: mariclarxm@gmail.com
Caso você queira seguir as redes sociais dela:
Instagram: @clarinha.xavier
Facebook: Maria Clara X. Macedo

E é isso, espero que tenham gostado da dica de hoje! ♥

8 de março de 2019

"Salve!" à mulher que somos

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Ao término desse texto, ouça Beyoncé - Freedom e sinta o poder do amor.


Flores às que são de flores.
Doces às que são de doces.
Poemas às que são de poemas.
Músicas e danças para as que cantam e dançam.
Um brinde a quem o aceita.
E respeito a todas.

Desde a Revolução Francesa, e antes mesmo que isso, um brinde à nossas ancestrais que suportaram tanto sofrimento caladas, mudas, ou amordaçadas.

Salve às nossas mães, nossas irmãs, nossas tias, primas, amigas, avós... Salve às nossas ancestrais!
Salve a Leopoldina, Chiquinha, Rita Lobato, Deolinda;
Um brinde à Alzira, Lenk, Andion, Eunice, Júnia, Zélia;
Flores e abraços à Edmeia, Sarney, Benedita, Hipácia, Joana d'Arc;
Saludos a Rose Marie, Leila Diniz, Bertha Lutz, Virginia Woolf;
Um brinde à Ada Lovelace, Marie Curie, Pagu, Nélia Piñon;
Hallo a Simone de Beauvior, Coco Chanel, Beyoncé;
Saudações a Maria Quitéria de Jesus, Lua Leça, Ana Cañas;
Anauê para Dandara, Preta, Samara Braga, Bruna Meyer...

Um brinde a todas nós e à mulher que damos a luz!

Mesmo submissas a dor, ao sofrimento psíquico e físico, ao gaslighting e ao patriarcado, nós encontramos irmãs nas mulheres que sempre foram, realmente, nossas irmãs, então, acima de tudo, um brinde à sororidade e ao amor! Este mesmo que fecundou-se em nossos úteros, para que dessemos luz às mulheres resistentes e autônomas que somos hoje.

Respeito, acima de tudo, para sustentar que o que eu sou e escolho pra mim não anula em nada o que somos juntas e o que podemos fazer umas pelas outras, porque nossa luta e sofrimento de cada dia é sobre a forma que somos e respeitamos umas as outras. 

É sobre saber ouvir, estar, dar as mãos e não largar nunca, como tem sido nos últimos séculos. É sobre encontrar na história da outra uma luz para ressignificar o que somos, o que sofremos e o que almejamos. É sobre a mulher que somos umas para as outras.

E como a nossa luta é árdua, mas seguimos de cabeça erguida, batendo no peito porque "eu posso!", sim, porque nós somos capazes. Como fomos quando conquistamos nossa emancipação, nossos direitos de educação, inserção no mercado de trabalho, poder ser eleita no governo, ter e dar a voz, de trabalhar fora do lar, aos esportes e ao voto, porque sempre tivemos voz e potencial para mostrar que somos mais, mesmo aquelas que optam em estar em casa, cuidando da família, porque é tudo sobre a nossa liberdade, o nosso direito de escolha, e como precisamos respeitar isso.

Como também precisamos respeitar a nossa humanidade e o nosso sagrado, lutando, persistentes, contra todo e qualquer tipo de violência, porque se não o fizermos, quem fará por nós? Quem falará por nós em algum jornal sobre as denúncias, os índices, os números que ora se multiplicam e ora diminuem? Quem falará? Como falou com voz firme todas as nossas ancestrais que morreram para nos dar o direito a voz que temos hoje?
Somente nós mesmas.

Então, não nos calemos nem permitamos que o mundo nos amordacem novamente, porque, acima de tudo, estamos juntas.

Hoje é mais uma data em que comemoramos o nosso dia, mas se realmente o ressignificarmos, veremos que a nossa voz não tem se calado há décadas, e estamos falando cada vez mais alto, com a cabeça erguida, com o peito cheio de orgulho, embora mergulhado na dor de perdermos tantas irmãs, e seguirmos firmes, porque é exatamente o que cada uma delas faria.

Então, um brinde à todas que o desamor matou enquanto você lia esse texto, e à todas que juntam a voz a minha para dizer que:

Um brinde à mulher que damos a luz: o feminismo!

7 de março de 2019

Escritor e Músico Essandro Gabriel

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@egabrielviana

Essandro Gabriel tem vinte e um anos, além de ser um cara super especial e gente boa, ele é escritor, músico e tem um talento incrível para fotografia!

Ele  compõe há algum tempo, se encontrou entre o blues, bossa nova e o estilo indie. Em conversa ele me disse que toca violão, arrisca clarineta porque não tem vergonha na cara, e pretende aprender a tocar violino. E quando questionei sobre como ele se sente estando no mercado artístico que tem sido tão desvalorizado nos últimos anos, e como ele lida consigo mesmo quando está desmotivado, ele me disse o seguinte:

"É estranho, isso vai parecer até meio clichê, mas acredito que fui dormir com uma concepção totalmente diferente sobre sucesso, realização, e acordei extremamente tranquilizado em relação aos meus sonhos e afins, não é um acomodamento, é apenas a consciência de que eu já faço minhas próprias músicas, eu já escrevo os meus próprios textos, eu já sou realizado, porque o caminho tem sido desafiador, em todos os setores, eu estou em um campo minado, a qualquer momento posso pôr tudo a perder, por outro lado, penso que recomeços são bênçãos, um sinal de que alguma coisa esteve errada, as pessoas precisam ser quebradas e confrontadas com os seus piores medos para serem mais fortes...."

Além de ser o autor do blog Codinome Summer - O afeto é revolucionário!, ele lançou sua primeira música autoral "Beladona" no ano passado, com a queridíssima Luana Jesus como a figura principal do clipe, em uma praia incrível, com a fotografia do vídeo inteirinha encantadora, você pode assistir aqui:





No seu canal no youtube E.G VIANA, ele posta suas músicas autorais, alguns vídeos cover como "Creep" de RadioHead, e "Fica tudo bem" de Anitta e Silva, você pode ouvi-las aqui:






Para nos encantarmos mais ainda, vamos ver algumas das suas fotografias:






Essa última foto é a imagem promocional do seu novo single que será lançado ainda esse mês! "Poemas, lágrimas e carnaval" é uma música linda, e impossível não viciar.

Você pode ver mais do trabalho dele no seu instagram: @egabrielviana

E para finalizar, deixo aqui com vocês também um fragmento de um dos seus textos, o "Insuficiente… O narcisismo é o manifesto egoísta da solidão, e o desamor é inerente ao homem."

Eu estive escrevendo uma história sobre suficiência
Tentando a todo custo,
Ser,
Pertencer,
Parecer,
Me banhando num oceano de felicidade instantânea,
Despejando toda a droga do meu amor de merda gota a gota num recipiente sem fundo,
Eu estive me sentido um lixo,
Estou em segredo,
Eu estive me moldando tantas vezes,
E nesse processo de escrita me permiti ser quebrado um milhão de vezes,
Vez ou outra de frente para o espelho, “Os homens e seus espelhos mágicos”
Desculpa por todas as vezes que esqueci de me amar para amar os outros.
Se amar é uma tarefa tão difícil quanto se imagina,
Se amar é trigonometria,
Começar do zero todas as vezes em que alguém te fere, 
(...)


O talento dele é inegável! Tanto para a escrita, para a música, para a fotografia, ou para ser essa pessoa incrível que ele é!
Aguardem que as novidades dele estão vindo com tudo! Vocês vão se encantar, como eu me encantei. Quer apostar?! rs

Espero que tenham gostado da dica de hoje, foi com muito carinho ♥

4 de março de 2019

@babe

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essa foto pertence aos personagens desse texto ♥


Você pode ler ouvindo Zayn Feat. Sia - Dusk Till Dawn 


De presente de copeira para a vida, eles se encontraram no escritório de advocacia. A copeira disse para ele que tinha algo no escritório que ele precisava ver, e quando chegou lá, com seu jeito todo estabanado, encontrou-a.

Ela com o coração que não cabe no corpo e com a alegria iminente exibida em cada sorriso espremido na sua boca de batom vermelho, com todos os seus sentimentos expostos nos seus olhos castanhos escuro que parecem um mar, que todo o mundo iria querer nadar, porque ela é intensa assim, sentimento purinho, e os que não sabem nadar, acabam aceitando a opção de afogar-se e ter cada partícula do corpo preenchida pelo amor que ela é, porque é viu, ela é todinha amor.

Ele, com sua barba bem feita, seus dentes branquinhos e seus lábios rosas, o cabelo estilo john mayer, um sorriso que morde e conquista qualquer mulher, e um jeito espontâneo, estabanado e ingênuo de ser e ver as coisas e o mundo a sua volta. Ele age como se não quisesse impressionar, mas é difícil não tremer na base quando você o vê pilotando a moto, a cento e quarenta quilômetros por hora, com um capacete extra a tira colo, salvando os casos em que precise dar carona a alguma moça bonita.


Foram tardes excitantes no escritório de advocacia, em discussões sobre coisas totalmente nada a ver com o trabalho, em que ele pedia conselho às meninas presentes e ele era o único rapaz da sala, levantando o dedo no meio da tarde e pedindo se podia perguntar uma coisa, fazendo-se presente. E ela o notou.

Foram inúmeros bilhetes em post-it, carinhos tipo o Walter que é o corujinha de pelúcia, o cactus Brutus que foi comido por vários gatinhos, e a Rainbow que é o novo cactus, o bebê arco-íris deles dois... Coisas assim, despretensiosas, que não conseguiam esconder, de jeito nenhum, o que saltava pra fora deles.

Do escritório e dos post-its para o refúgio que o apê em Tower Center e o abraço dele se tornou, e para as declarações de amor em cartas métricas que os olhos entregavam um para o outro, quando se olhavam por dez ou vinte segundos, ao desviar o olhar da tela do computador, só para se encontrar um pouco, e sorrir ao perceber que estavam ali, desde o primeiro momento.

Ele a conquistou de forma leve, tirando-lhe sorrisos e gargalhadas, mostrando-na como as pessoas podem ser únicas, incríveis e sinceras sobre si mesmas e sobre o mundo, com uma ingenuidade quase inacreditável, e ela só acreditou porque viu isso nele.

Ela o ganhou com sua voz e seus olhos que ficam miúdos quando está com sono, com o abraço e o toque reconstrutor que ela tem, como se ela fosse capaz de refazer todos os pedaços que ele havia quebrado dentro de si, e ele sempre quebrou-se mais do que deveria, e ela estava lá, com todo o coração e amor que tem dentro de si, simplesmente assim. Ela estava lá.

Eles se tornaram amigos, amantes, refúgio. Construíram um paraíso particular, um mundo secreto para eles dois. O segredo que eles nunca poderiam contar e seus corações nunca seriam capazes de esquecer.

Eles são os personagens mais bonitos da vida real, porque eles escrevem cada página e dão ponto continuativo em todo parágrafo na esperança de que a vida dê chance para que eles dois continuem vivendo essa história que construíram juntos, desde a copeira até quando eles, finalmente, deram o primeiro beijo, ansiosos e com corações excitados demais para baterem em compassos normais, até que quando ela desceu do colo dele, precisou de um time para recuperar o fôlego.

Então são cartas de amor métricas, post-its, carinhos, abraços, beijos, crises, choros... e o medo. Medo de precisar dizer adeus algum dia, medo de eles não serem o depois do "felizes para sempre" mas sim o antes, e o livro estivesse chegando ao final.

E eles precisariam se despedir da copeira, dos amigos em comum, dos momentos e das lembranças, como as vezes em que eles pularam amarelinha na quadra próximo ao apartamento dele, ou como eles cantam alto assim dentro do apartamento e ficam imaginando que os vizinhos pensam que os dois são loucos, e talvez o sejam mesmo, um pelo outro, se desfazer também da vez que surtaram e descontaram na moto, a cento e quarenta quilômetros por hora e era ela a mocinha atrás, gritando a plenos pulmões sobre como a vida pode ser tão bonita e injusta ao mesmo tempo.

Porque agora ela o tem, e talvez seja só até agora. Talvez o livro esteja acabando, e depois de ele ter surfado tanto no castanho dos olhos dela, depois de ela ter sido o perfeito motivo para o capacete extra, eles terem sido o refúgio, o amor e o presente um do outro, eles precisariam dizer adeus.

Sem nenhuma palavra, pra não doer tanto.
Ou com todas as palavras do mundo, para ver se dói menos e o livro não acaba.
Porque a lembrança da boca dele na dela, nada vai apagar.
E seus corações nunca...
nunca vão esquecer.

(...)

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Eu poderia ter terminado esse texto com o "the end", deixaria vocês imaginando se a história deles continuou depois do fim do texto ou do que aconteceu entre eles, ou fazer vocês pensarem que isso foi só uma história que inventei e quis que acabasse assim, porque a vida é muito sobre isso, ter tudo, e de repente não ter nada.

Mas, eu preferi me manter exatamente como eu sou: a observadora, não sei absolutamente de nada, e foi um desafio muito grande escrever esse texto.

Tirem suas conclusões.

Esse é o projeto "Monday - conte sua história e ela virará poesia" - toda segunda escrevo sobre a história de alguns de vocês aqui no blog, quem sabe a próxima história é a sua?