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13 de março de 2019

Sobre o #B e onde nada acaba

via reprodução do google♥/ essa foto é sua?

Você pode ler ouvindo Nando Reis e Ana Cañas – Pra Você Guardei O Amor

Ele me deixou na porta de casa, cumprimentou o meu pai, falou que a joinha estava entregue, e pegou na minha mão.

- Não se preocupe com nada, tá bom? A gente vai se ver em breve, eu te ligo mais tarde, e se você quiser eu posso tocar a noite toda pra você, você nem precisa falar nada. Só me ouvir, e saber que eu estou sempre aqui pra você.

Senti meus olhos encherem de água, e ergui cabeça, tentando não desmoronar, ele me abraçou forte, e voltou a repetir que estaria sempre aqui comigo. Eu pressionei minha cabeça contra o seu peito, sentindo o seu perfume, querendo guardá-lo pra mim, e antes de ele se afastar, ele me deu um beijinho doce no pescoço.

Foi quando eu acordei.

Eu errei uma nota, eu escrevi todo um parágrafo sem sentido, eu perdi a voz, o chão.
Eu tinha voltado a ser mais uma garota com sentimentos reprimidos, com o sentimento de culpa por permitir isso acontecer me esmagando.

Me virei na cama, deitando em posição fetal, abracei o travesseiro, me toquei que a lua estava iluminando bem no vidro da minha janela, e eu deixei o baque me atingir.

Eu chorei como uma criança precisando do colo da mãe, eu nem me importei em estar queimando de febre, eu só queria poder voltar no tempo, ou dormir de novo pra continuar aquele sonho lindo, e não acordar mais, pra ver se fica mais fácil viver, porque é tão complicado viver assim, presa. Em mim mesma.

Com tantos problemas, tantos porquês, tantas interrogações, e não poder cometer o ato mais revolucionário que qualquer pessoa pode fazer: sentir.

Mas, então, eu sinto. Sinto uma porrada no estômago, sinto a garganta queimando, sinto o peito apertado, sinto a angústia de estar só, e sonhar tanto com alguém que vá me entender e me sentir, como eu sinto.

Alguém que me toque, me inspire, me faça cantar, entregar todos os meus sentimentos como um buquê de jasmins com um laço bem bonito. Alguém que eu possa amar na mesma proporção que dói agora. Pois dói e não é pouco.

Eu e meu problema de intensidade, desde o amor a dor, eu sempre sinto muito.

Com os olhos nadando em lágrimas, observo o brilho da lua, lembro da dor da saudade que ela deve sentir do sol, e deve ser da mesma forma que sinto agora. Angustiante, ardente, mas ainda assim, esperançosa.

Será que um dia eu teria um sol? Que me pegasse sem dó, me falasse sobre como é o amor em diferentes notas, que me tocasse, me tivesse, me fizesse brilhar como a lua brilha para o sol em um eclipse total, e me perdesse nos braços de quem sempre esteve por aí, me esperando, e se ele realmente estivesse?

Fecho os olhos, e tento pôr pra fora toda a dor que estou sentindo, não a física, ela nem se compara a minha espiritual, mas a dor de saber que ainda falta uma parte significativa de mim.

E eu sei que está em algum lugar, mas não é aqui.
Aonde você está?

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