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1 de junho de 2019

Eu a peguei sem C#


Via Tumblr/Essa foto é sua?

Você pode ler ouvindo Bon Jovi – Bed Of Roses

Quando eu toco, a minha única preocupação são os sentimentos, eu acho esse o motivo pelo qual eu faço música: os sentimentos, as sensações, o que ela me proporciona.

Eu estava tocando piano quando ela chegou, não sei porquê, mas ela chamou muito a minha atenção no meio daquela multidão de pessoas dançando na boate. O jeito que seu cabelo estava caído no ombro e como ela me olhou e percebeu que olhei de volta, o jeito que ela sorriu pra mim como se tivesse encontrado alguma coisa que procurava a muito tempo. E eu adorei as sensações que ela estava me causando, ela era como uma música que eu precisava tocar.

Nas poucas vezes em que consegui avistá-la, eu sentia uma vontade crescente dentro de mim. Talvez pelo seu olhar que era misterioso e como ele sorria pra mim, pode ter sido por conta do batom vermelho que estava usando também, ou porque como ela dançava, o jeito que se movia parecia estar seduzindo a música. Ou a mim.

Eu nunca fiquei tão feliz em terminar um show, na maioria das vezes eu nunca quero sair do palco, mas eu fiquei com medo de ela ir embora antes mesmo de eu ter tido a oportunidade de conhecer esse lindo instrumento, porque eu passei a noite toda tocando ou o piano, ou o violão, ou a guitarra, imaginando qual seria a sensação de tocá-la.

- Boa noite. – Eu disse, me sentando ao seu lado, próximo ao balcão de bebidas.
- Boa noite, tudo bem? – Me surpreendi quando ela se virou pra mim e me deu um beijo no rosto. – Parabéns pelo show! Você é muito foda, toca muito bem!
- Ah, muito obrigada!
Eu a vi beijando a boca do copo, enquanto bebia uma cerveja artesanal e observei a marca que ficou, no copo, do seu batom que parece sangue de tão vermelho.
- Você se importaria se eu te pagasse uma bebida?
- Claro que não! Aceito duas e o nome do cara que me encantou a noite toda. – Ela respondeu, sorrindo, meneando a cabeça para trás, colocando o cabelo de lado, deixando sua jugular a mostra.
Aí eu recebi o convite.
Aguardei pacientemente ela comentando sobre como adora solos de guitarra e que adorou a forma que toquei.

Pouco tempo depois, levei-a para o camarim, a coloquei contra a parede e simplesmente a beijei. Sem dizer nenhuma palavra, porque não era preciso.
Eu pude sentir tudo. As suas unhas na minha nuca, a sua boca pequena e seu hálito quente, o gosto da sua língua e da sua urgência em me ter que combinou perfeitamente com a minha urgência em tê-la.
Eu senti cada pelinho do seu corpo eriçado, seus arrepios, e seu toque, e desejei tê-la completa e somente minha.

Era a melhor sensação que pude experimentar, depois de vinte anos de música e de quinze anos comendo menininhas superficiais, foi mágico e irresistível senti-la, e eu ainda nem tinha aprendido todos os seus acordes.

Fiquei feliz em estar sendo marcado por ela, completamente excitado e eufórico.
A sua pele macia, a sua cintura fina, o seu quadril tão bem desenhado, o decote na sua blusa com zíper no meio, convidando-me a mostrar a minha boca como a sensação de tocar algo incrivelmente lindo e impossível pode ser torrencial e devastadora.

Eu a olho nos seus olhos, sentindo sua respiração ofegante, aperto o seu quadril e digo:
- Eu quero que você seja minha.
Ela beija minha boca e eu posso sentir seus lábios se comprimindo em um sorriso no meio do beijo, e ela responde:
- Eu já sou.

(...)
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Esse texto faz parte do Projeto NOTAS DE NÓS DOIS, essa é a série de SUSTENIDOS, a versão dele. A série NOTAS NATURAIS, a versão dela, já se encontra disponível aqui no blog.

4 comentários:

  1. Arrancando suspiros do leito ,q texto sensacional amei ...

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  2. Show....
    Sempre tive vontade de conhecer os bastidores e a vida pós-show de uma banda de rock, bem como as histórias são vividas por esses caras.
    Ficou muito bacana o post!!!

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    1. Ahh, feliz que tenha gostado! Nós nunca sabemos o que acontece exatamente <3

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