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27 de janeiro de 2019

Eu, flor




Abro os olhos e agradeço a Deus por cada pedacinho de mim que senti saltando pra fora assim que acordei. Sento aqui, sentindo o friozinho e observando o Sol aconchegante da manhã ousando passar por algumas frestas da janela do meu quarto só para me dar bom dia, me convidando a sair e mostrar para que eu estou aqui, fazendo o papel de flor que sempre tive, dando sempre o melhor de mim.

Hoje, estranhamente, acordei mais inspirada que os dias normais, até o álbum Manuscrito da Sandy está tocando no rádio, e, por pura ironia da vida, você foi o meu primeiro pensamento do dia, o meu desjejum, e estou aqui tomando café com as coisas que sinto sobre você.

Só é tudo muito novo, só estou um pouco excitada demais com as coisas que invento e crio e imagino sobre as coisas que poderiam ser. E nunca serão. Eu idealizo demais, endeuso demais, coloco todos os meus sentimentos em pedestais, mas nunca os canto.

Eu faço isso com meus sentimentos porque eles são a coisa mais real e próxima de Amor que eu conheço. E eu tenho tanta ânsia em saber como é amar, que intensifico tudo, multiplico tudo por duas de mim. Eu já sou intensa demais, nem preciso falar o estrago que duas de mim podem fazer.

O teto lilás do meu quarto continua me dando doses muito altas de inspiração, eu continuo tendo um feeling muito forte quando meu cabelo está solto, livre, assim como eu gosto de ser. E por falar em liberdade, sentir o que sinto, nos dias de hoje e nas situações atuais, é totalmente libertário.

É como se todas as minhas pétalas estivessem soltas ao vento quando eu assumo o que sinto, quando eu me admito humana, frágil e impossível. E eu gosto de saber que meus sentimentos me transbordam, que eu não tenho nenhum controle sobre eles, e gosto mais ainda de saber que eu nunca fui cruel como o mundo e um grande número de pessoas são, que além se oprimirem e reprimirem, também fazem o mesmo com as pessoas ao seu redor.

Eu sempre me permito sentir, totalmente inconsequente, eu até penso nas coisas que podem acontecer, mas, o que são uns machucados quando as coisas que você sentiu antes te deixaram tão vivas e fulminantes? O que são umas pétalas queimadas, se o Sol sempre foi gostoso o suficiente para que você permanecesse sob ele?

O único problema disso tudo é que quando se é assim, você se doa completamente para as pessoas, você se entrega, mas, a gente nunca sabe como quem recebe vai reagir. Eu já me entreguei envolvida em laços, e me jogaram longe. Me doei inteira e me deram as costas, houve uma vez que nem quiseram me ouvir, só me olharam, já cortaram meu caule, e eu sofri muito até conseguir florescer de novo.

Mas, eu estou aqui.
Ansiando por uma resposta, e desejando com todo o coração que você me entenda, me queira, me encare, me escute, me veja, como eu te vejo.

E essa sou eu cantando meus sentimentos de jasmim em um pedestal que você construiu pra mim.
Essa sou eu, flor pequena, com meus sentimentos grandes demais para deixá-los presos em mim e não entregá-los a você.
Essa sou eu falando, esperando que você me escute.