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17 de fevereiro de 2019

O céu da tua boca

Essa fotografia é sua? Se sim, entre em contato para eu te dar os devidos créditos! Encontrei-a na reprodução do Google, espero que não se importe! Adorei-a!

Você pode ler ouvindo John Mayer - Free Fallin'


Encaro o céu, e vejo as estrelas extremamente brilhantes, iluminando a noite juntamente com a lua. O fato de eu estar encarando-as faz parecer que elas estão se aproximando, como se caíssem, porque ficam cada vez mais brilhantes e a noite mais iluminada.

Você me pergunta o porquê de eu ter reparado nas estrelas, se as pessoas sempre olham a lua primeiro. E eu te respondo que acho que é sobre isso de cada um ter um lugar, sabe, cada um poder brilhar de um jeitinho diferente e conquistar o coração de alguém, o olhar de alguém que fica te encarando enquanto você está simplesmente sendo você mesmo, como se ninguém tivesse prestando atenção.

Como você me olha e como você é pra mim.

Porque você me olha, como se me admirasse, como se quisesse conhecer e tocar cada pedacinho meu, você me encara, meio encantado, e nem faz questão de disfarçar quando eu olho de volta, porque é da mesma forma que eu te olho e como você é pra mim: brilhante, irresistível, luz, e me faz querer conhecer cada pedacinho teu. O que aconteceria se duas estrelas colidissem?

Escuto seus batimentos cardíacos e sinto o calor da sua pele nua, nós estamos deitados na areia da praia, e você fez a gentileza de me emprestar a sua camisa de botões para amenizar um pouco mais o frio que eu estava sentindo.

Talvez tenha sido loucura a ideia de virmos a praia, durante a madrugada, mas, pra mim, continua sendo uma boa ideia estar aqui, com você, como se nós fôssemos um pequeno segredo que nem você me conta nem eu te conto. Embora a minha perna enroscada na sua calça jeans e a sua mão na minha cintura estejam dizendo totalmente o contrário.

Você beija o topo da minha cabeça por uns segundos e eu tento imaginar o que se passa na sua mente, comigo aqui, totalmente à vontade no seu colo, frágil e entregue da forma que você sempre me teve.

Eu te sinto aproximando a sua boca, e com sua mão ergue meu queixo, eu sinto um turbilhão de coisas dentro de mim, e tento me controlar para não explodir, enquanto sua boca está noventa por cento próxima da minha, eu sinto o fogo queimando dentro de mim, o desejo ardente de conhecer seu gosto e de permanecer, e eu sei que você está esperando que eu avance os outros dez por cento, e eu sinto também um tipo de ligação, uma coisa vibrando de mim para você e vice-versa.

Acho que tem um pouco a ver com reciprocidade e a minha capacidade de sentir tudo mesmo que nunca possa ser real.

Abro os olhos e respiro fundo, encarando o teto do meu quarto, tentando não apagar da memória tudo isso que vi sobre nós dois, para poder escrevê-las.

Sinto o cheiro do seu perfume, que parece ter ficado impregnado em mim, penso no elogio que me fez essa noite referente ao meu novo vestido favorito branco com decote em v na frente, e estampa de folhas e listras pretas, pendurado na maçaneta da porta do guarda-roupas, e penso sobre como parece tão certo quando você está aqui, como nunca dá pra gente disfarçar.

Nós sempre nos encaramos e é isso, eu sinto isso e você também. Mesmo sem sabermos o que é exatamente, é a mesma coisa, e a minha sala de jantar parece tão vazia sem você aqui, e meu peito parece esmurrado quando você vai embora, e eu brilho um pouquinho menos quando você não está aqui para admirar.

Porque eu brilho e queimo para você, pra ver se você ultrapassa os seus noventa por cento e me põe no céu da sua boca, aonde eu desejo ficar.

Coloco a mão no peito, e agradeço solenemente a Deus por eu ainda poder sentir.
Porque eu ainda sinto.
Tudo.