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Resenha da série "Siren" da Freeform

28 de fevereiro de 2019




Siren é uma série de televisão da Freeform (rede de televisão americana da ABC – representante no Canadá), lançada em 29 de março de 2018, onde traz a história das sereias como nós nunca vimos antes. A série chegou ao Brasil, apenas três meses depois, sendo exibida pelo Canal Sony, às terças-feiras.

Com uma fotografia incrível e efeitos especiais extraordinários, a série foi escrita por Eric Wald, baseado em uma história dele juntamente com Dean White, dirigido por Scott Stewart, Larissa Ferdew e Emily Whitesell. A primeira temporada conta com dez episódios, cada um com, no máximo, quarenta e cinco minutos.

A trama acontece na cidade costeira de Bristol Cove, conhecida por sua lenda de abrigar sereias. A cidade fica de cabeça para baixo quando uma jovem misteriosa (Eline Powell) aparece e começa a destruir a pequena cidade pesqueira para procurar sua irmã capturada (Sibongile Mlambo). Os biólogos marinhos Ben (Alex Roe) e Maddie (Fola Evans-Akingbola) trabalham juntos para descobrir quem família este caçador primitivo do mar profundo vir a terra, e se questionam se há mais como ela lá fora.

Na foto temos: Xander (Ian Verdun), Maddie (Fola Evans), Ben (Alex Roe), Ryn (Eline Powel), Donna (Sibongile Mlambo) e Helen (Rena Owen).

No elenco nós temos: Eline Powell, como a queridinha Ryn, com seus olhos azuis claríssimos e sua pele branquinha; Fola Evans-Akingbola – como Maddie, a bióloga marinha que se torna uma grande amiga depois de um tempo; Alex Roe – como Ben, onde nós poderemos ver uma paixão ou obsessão se desenrolar por Ryn, depois que ela canta para ele; Ian Verdun – Xander, pescador e um dos extremos da série; Rena Owen – Helen, a velha misteriosa dona de uma loja de especiarias, que tem muitos segredos guardados; Sibongile Mlambo – Donna, a irmã de Ryn, capturada no início da série pelo governo; Chad Rook – Chris Mueller, amigo de Xander e Ben, também uma das vítimas das sereias; Aylya Marzolf – a incrível sereia Katrina, que ilustra perfeitamente a líder das sereias, e a guerra de poder entre elas; e Sedale Threatt Jr. – Levi, o incrível tritão, forte, lindo, negro de olhos azuis e submisso às vontades da líder.

Falando um pouco sobre a personagem principal, não poderiam ter escolhido atriz melhor, Eline Powel atua perfeitamente, desde os momentos em que  a Ryn é doce, meiga, até quando está furiosa com algo e sedenta por justiça, porque, para as sereias, é tudo sobre família e como protegê-la.

A série foi aclamada pela crítica como “a série de terror sobre sereias assassinas”, mas, é muito mais além disso. É possível ver cada detalhe da transformação da Ryn, tanto de sereia para humana, quanto ao contrário, desde o primeiro episódio, inclusive como os humanos reagem quando ela sai andando pela rua, completamente nua, até entender que esse era o motivo de as pessoas estarem olhando-na da forma que estão, e decidir pegar algumas roupas “emprestadas” no varal de uma cidadã de Bristol Cove.

Com todos os aspectos que a série nos traz, temos um novo olhar, uma nova perspectiva sobre a história das sereias, em especial no que tange ao assunto de que o governo sabe da existência das mesmas, e estaria capturando-as para fazer experimentos na tentativa de evoluir o ser humano, que é isso que acontece com Donna, a irmã de Ryn, a qual ela saiu do mar para procurar.

Um dos fatos mais extraordinários da série é quando Ryn explica a Ben (um dos biólogos marinhos) que quando elas estão dentro de água, tudo é caça “ou você mata, ou você morre”, mas quando estão em sua forma humana, elas conseguem discernir o certo do errado, como humanos fazem, a menos, é claro, que seja para defender a sua espécie.

Uma coisa muito interessante é que isso muda em relação a Ryn, depois de um tempo, porque ela desenvolve sentimentos pelas pessoas que estão ajudando-a com tudo que acontece, em especial Ben e Maddie.

Entre os pescadores e o governo, as sereias e os tritões procuram de, toda forma, sobreviver. Ataques, fugas, dor, sofrimento, guerra de poder... e mortes, resumem muito bem a trama. Levando em conta que, também, Ryn precisa lidar com a polícia no seu encalço por conta dos seus "pequenos" delitos.

Porém, no seu extremo, vemos também como as sereias, em especial, a Ryn se desenvolve no meio dos humanos, como ela descobre o que são sentimentos, como os humanos se relacionam uns com os outros e o que o seu canto pode fazer, porque, é claro que o canto da sereia não poderia faltar, muito menos o mistério entre a glória e o sofrimento que o mesmo pode causar.

Só para termos uma base dos extremos de Ryn, ela consegue ser doce a ponto de escolher o seu nome, assistindo um desenho animado com um bebê, e consegue ser fria a ponto de acabar com um cara que quis se aproveitar da sua aparente ingenuidade, no mesmo episódio.

E, por último, existe a importância de compreendermos o porquê de as sereias não saírem do mar, pensando no genocídio que suas ancestrais sofreram, depois que uma sereia se apaixonou por um humano, colocando em risco toda a colônia, e como os humanos reagiriam ao desconhecido.

Totalmente fora das ideias que conhecemos sobre as sereias, como “A Pequena Sereia” ou “A Sereia Iara”,  ou o romance "Siren" de Kiera Cass, temos um novo mundo diante dos nossos olhos, que cabe a cada um de nós, se depois de explorarmos, acreditaríamos em tal ou não, porque o que nós sabemos sobre os oceanos é apenas um pouco mais de um por cento, e cerca de noventa por cento dos oceanos ainda não foi mapeado.  Afinal, é um mundo grande, e nós, humanos, sabemos pouco e não temos controle sobre quase nada.

A série está avaliada para um público de maiores de 16 anos, e a segunda temporada foi lançada no dia 24 de janeiro de 2019 no site da Freeform, mas para quem não quiser esperar até chegar ao Canal Sony, aqui no Brasil, pode estar assistindo online nos seguintes sites:

Primeira Temporada: Assistir Siren Dublado Online
A Segunda Temporada ainda não está disponível completa, só temos online até o sexto episódio:

E, para finalizar, deixo os trailers aqui:



"Feline"

24 de fevereiro de 2019

@ddlovato


Before

Talvez a culpa seja realmente minha mesmo, de ser alguém que sempre sente tudo, e ainda deixa tantas faíscas em lugares no meu peito desconhecidos por outrem.

Eu escutei umas coisas fodas sobre mim, sabe, de uma pessoa que estimo muito e eu nunca imaginei que pessoa x pensasse todas aquelas coisas e de tais formas. O que dói mais é ouvir isso tudo de uma pessoa que eu achava que me conhecia. Eu queria arrumar uma desculpa para as coisas que ela disse, sabe, algo como pôr a culpa no extremo ruim que todo mundo tem... Mas ela permanece invicta, de cabeça feita, e eu não posso fazer nada para mudar o que ela pensa sobre mim, porque, na verdade, é tudo sobre como eu realmente sou e como as pessoas me interpretam.

É como o que você interpreta pode não ser o que a pessoa quis dizer, ou como a releitura de um mesmo livro... nunca é a mesma coisa.

A culpa é minha por simplesmente querer algo que me faça sentir viva, como uma estrela em chamas no meio da noite, ardente e brilhante. Eu só quero sentir algo, afinal. Esse é o meu desespero e a minha busca diária e eterna: algo que me faça sentir algo real, forte e poderoso. Algo que talvez eu nunca encontre em ninguém, somente em mim mesma.

Porque da mesma forma que só eu sei o que fazer quando meu calo aperta, quando o corpo pede arrego e quando o coração não aguenta o aperto. Eu também sou a única que sabe o gatilho do meu êxtase e glória, isso não se trata de ninguém, apenas de mim, o que eu deixo que as pessoas me causem, o que eu sinto e o quanto deixo que qualquer coisa me abale ou me abrace... Somente eu sei, ninguém mais.

Eu não costumo me importar com o que as pessoas pensam de mim, nem pedir desculpas por eu ser como sou – assim, deeper – porque eu não posso pedir desculpas por ser eu mesma e a pessoa não saber lidar com isso.

Acho que sou para quem tem coragem. Quem para e me encara. Alguém que eu não preciso colocar a mão no queixo e erguer o rosto para que ela olhe dentro dos meus olhos e sinta as chamas na minha pupila dilatada, alguém que não tenha medo, nem fuja. Alguém que permaneça, mesmo depois de conhecer o meu extremo ruim também, porque ao contrário do que acham, eu não sou perfeita.

Eu também erro, e erro feio. Desmonto, quebro, perco uns pedaços, me machuco, me magoo, eu sou humana, sabe. Mesmo que x continue achando que eu me pinto e me escrevo como “a tal”, idolatrada e amada por todos, inesquecível e inquebrável, somente eu sei que, finalmente, eu nem arranho a superfície disso.

Belo exemplo é essa merda que estou escrevendo querendo achar uma resposta para isso tudo que tá no meu peito e só eu sei o quanto dói e machuca... o que uma simples pessoa pode fazer com você.


Inside

Entrei no banheiro da boate, já meio altinha, e me olhei no espelho, passando as mãos na extensão no meu cabelo, ajeitando os fiozinhos que estavam exaltados, embora o jeito do meu cabelo combine perfeitamente com minha personalidade, não é nada sobre eu e meus sentimentos saltitantes essa noite.

Retoco o batom e tiro o excesso do brilho com o papel-toalha, dobro o papel com a minha marca e coloco-a dentro da carteira, na minha bolsa.

Me olho no espelho de corpo e percebo como a minha postura e todo o resto está no seu devido lugar, seja a saia preta com duas fendas na frente, meus dedinhos dos pés espremidos no salto vermelho, minha gargantilha dourada, as pedrinhas do meu brinco ou mesmo os meus sentimentos... Estão todos alinhados, não tem nada fora do lugar.

Quando eu decidi sair de casa hoje, eu realmente saí de mim um pouco, eu desliguei, porque ser intensa e entregue da forma que eu sou, pode me deixar em pedacinhos, às vezes, e eu precisava ficar um pouco off de mim.

Eu vesti a minha pinta de inquebrável e está tudo bem quando eu estou completamente vestida, assim, porque ninguém nunca imaginaria... enquanto estou dançando na pista, viajando na música, fora de órbita e sentindo as luzes vermelhas quente no meu corpo, que eu estaria como estou. E não quero falar sobre isso agora, porque eu não quero quebrar aqui.

Dou mais uma checada no batom, para garantir que não deixei nenhum tracinho fora do lugar, encaro meus olhos castanhos, coloco meu melhor sorriso e volto para a pista.


Out

Assim que entrou na boate, foi pega de jeito pela música how deep is your love, não demorou muito até ela estar dançando, de olhos fechados, com seu corpo inteirinho expressando cada pequeno traço.

É inegável que ela é alguém que vai ser notada, pelo seu jeito espontâneo e seu sorriso que parece iluminar todo o lugar, o feeling que ela tem com a noite, a música, as luzes da boate... parece tão mais certo quando ela está.

Seja sentada no bar, com as pernas cruzadas e seu salto fino desenhando mais a sua panturrilha, enquanto ri alto e bebe Martini, ou dançando no meio da multidão de pessoas, como se brincasse com seus anos e suas lembranças... mesmo que a gente nunca saiba, é só que o jeito que ela se move parece estar seduzindo suas lembranças, apenas para expulsá-las na próxima sequência de movimentos.

Uma das coisas mais verdadeiras sobre as pessoas é que nós, realmente, não sabemos o que se passa dentro de cada uma, nós nunca imaginamos.

É notório que ela é linda, perfectly imperfect. E isso tudo é muito sobre ela ser a estrela da própria história. Ou sobre eu apenas estar imaginando e criando coisas baseado no que eu vejo.

Então, ela é linda, ponto.
Tem um sorriso gostoso que me faz querer estar perto e nunca querer ir embora. Ponto. E isso é somente sobre o seu sorriso, a gente nunca sabe como funciona o resto, não é?

Se fosse para tornar isso um pouco mais sobre mim e o que ela me causa, eu me justificaria falando de como os detalhes me cativam e como os detalhes dela são tão perceptíveis e receptíveis.

Seu jeito de menina brincalhona, suas mãos que não param de dançar junto com seu corpo, acompanhando a música, como ela se entrega e canta quando toca alguma música muito boa e que, provavelmente, ela se identifica...

Por exemplo, eu concordaria se ela me falasse que a música how deep is your love a define, porque fala sobre intensidade e amor, e essas duas palavras parecem combinar com ela, como o ritmo da música também e imagino como deve ser sua voz cantando... não sei, deve combinar.

A visão de quem está de fora é sempre assim: alguém que sabe pouco imaginando muito.
E eu o faço, mesmo assim. Porque eu gostei dela.
Quem sabe, em algum momento, eu deixo de imaginar e passo a conhecer...
Será que eu teria coragem?
E seus olhos... será que eu os encararia ou precisaria de espelhos?


After

Pronto. Eu assumo que sou antropocêntrica. Fim. Quero dizer: ponto.
Refleti muito sobre isso enquanto removia a maquiagem e vi as manchas pretas da máscara de cílios e lápis de olho saírem com a água.

Cheguei em casa agradecendo a Deus por não ter me deixado desmoronar, cair ou quebrar qualquer coisa que fosse, dentro ou fora de mim.

Tirei o salto, sentei, por dois minutos, na latrina e fiz um carinho nos meus pés, pensando em como a sensação de desconstrução e sair da personagem é tão revigorante para mim, porque mesmo que me sinta feliz em poder sair e ficar um pouco off de mim mesma, eu gosto de saber que ainda sou eu aqui, sozinha com todos os meus feelings, e, às vezes, é muito difícil, também sei que não é só para mim ou somente sobre mim...

Mas eu penso na minha realidade, em quem eu sou e o que posso fazer para mudar um pouco o mundo, dentro do meu limite, entende.

Eu conheço sobre muitos problemas, sejam os sociais, físicos, morais, sentimentais... penso sobre a dor do passarinho que vi hoje e estava com a asa quebrada, ou como uma flor deixa de estar viva quando a arranco e ainda assim ela continua teimosa e bonita, penso sobre as perdas infinitas e variáveis que existem e eu não conheço nem metade delas, ou como pensar muito na morte da bezerra faz com que eu acabe criando um vínculo do tipo eu-queria-ter-tido-a-chance-de-fazer-alguma-coisa, mas você entende que não tenho controle sobre nenhuma dessas coisas? Elas acontecem, completamente fora do meu contexto. E eu não posso fazer nada para mudar isso.

Isso é sobre abraçar a minha realidade, fazer algo por quem eu sou, o meio em que vivo e as pessoas a minha volta. Como aquela garota que estava se segurando para não chorar, ou o senhorzinho que estava sozinho com várias sacolas pesadas no ônibus, ou o gatinho que estava ansioso em ter um lugar, ou alguém que precisava ser escutado, ou sobre sentar, conversar e resolver algum mal entendido, ou se tirar do contexto da história das outras pessoas e simplesmente aceitar as escolhas que cada um de nós fazemos, como eu tenho feito as minhas.

Eu não queria estar escrevendo um texto em que eu preciso provar que eu faço o que posso dentro da minha realidade e não sou tão egoísta quanto me julgam. Não entendo porquê me doeu tanto assim tal julgamento, sendo que o que importa é que eu sei exatamente quem sou, verdadeiramente.

Então, se eu escrevo muito sobre mim é porque eu sou a única coisa que conheço bem. E se isso me faz ser alguém egocêntrico ou antropocêntrico, tudo bem. Mesmo. Eu aceito o adjetivo. Porque eu gosto de falar do que eu sei, o que eu sinto, e das coisas que lembro, e quem eu sou é a única coisa que eu tenho autonomia.

Também não gosto de quando eu escrevo pensando, imaginando, criando cenas, pensando em como acho que as coisas deveriam ser, acontecer, como deveria ser tão simples sentir e demostrar... porque isso se trata somente de mim e da minha visão de ver o mundo, e não há ninguém como eu.

Aceito, inclusive, que você encare essa última frase com ambiguidade, pode ser o meu ego e instinto felina falando um pouco por mim, ou somente estou assumindo uma verdade que é imutável: eu sou única e não posso esperar que as pessoas, pensem e sintam da mesma forma e intensidade que eu, ou sejam corajosas em admitir o que sentem, seja na dor ou no amor.

O fato de eu ser corajosa não quer dizer que eu não possa encorajar as outras pessoas a me olharem e me sentirem, exatamente como eu tenho feito nos últimos nove anos.

E o fato de eu sentir tudo e abraçar o meu pequeno mundo, não quer dizer que eu seja uma pessoa mais ou menos especial, eu apenas sou. Seja lá o que você acha. Somente eu sei sobre mim.
E talvez esse texto nunca tenha sido uma merda, afinal.


O céu da tua boca

17 de fevereiro de 2019

Essa fotografia é sua? Se sim, entre em contato para eu te dar os devidos créditos! Encontrei-a na reprodução do Google, espero que não se importe! Adorei-a!

Você pode ler ouvindo John Mayer - Free Fallin'


Encaro o céu, e vejo as estrelas extremamente brilhantes, iluminando a noite juntamente com a lua. O fato de eu estar encarando-as faz parecer que elas estão se aproximando, como se caíssem, porque ficam cada vez mais brilhantes e a noite mais iluminada.

Você me pergunta o porquê de eu ter reparado nas estrelas, se as pessoas sempre olham a lua primeiro. E eu te respondo que acho que é sobre isso de cada um ter um lugar, sabe, cada um poder brilhar de um jeitinho diferente e conquistar o coração de alguém, o olhar de alguém que fica te encarando enquanto você está simplesmente sendo você mesmo, como se ninguém tivesse prestando atenção.

Como você me olha e como você é pra mim.

Porque você me olha, como se me admirasse, como se quisesse conhecer e tocar cada pedacinho meu, você me encara, meio encantado, e nem faz questão de disfarçar quando eu olho de volta, porque é da mesma forma que eu te olho e como você é pra mim: brilhante, irresistível, luz, e me faz querer conhecer cada pedacinho teu. O que aconteceria se duas estrelas colidissem?

Escuto seus batimentos cardíacos e sinto o calor da sua pele nua, nós estamos deitados na areia da praia, e você fez a gentileza de me emprestar a sua camisa de botões para amenizar um pouco mais o frio que eu estava sentindo.

Talvez tenha sido loucura a ideia de virmos a praia, durante a madrugada, mas, pra mim, continua sendo uma boa ideia estar aqui, com você, como se nós fôssemos um pequeno segredo que nem você me conta nem eu te conto. Embora a minha perna enroscada na sua calça jeans e a sua mão na minha cintura estejam dizendo totalmente o contrário.

Você beija o topo da minha cabeça por uns segundos e eu tento imaginar o que se passa na sua mente, comigo aqui, totalmente à vontade no seu colo, frágil e entregue da forma que você sempre me teve.

Eu te sinto aproximando a sua boca, e com sua mão ergue meu queixo, eu sinto um turbilhão de coisas dentro de mim, e tento me controlar para não explodir, enquanto sua boca está noventa por cento próxima da minha, eu sinto o fogo queimando dentro de mim, o desejo ardente de conhecer seu gosto e de permanecer, e eu sei que você está esperando que eu avance os outros dez por cento, e eu sinto também um tipo de ligação, uma coisa vibrando de mim para você e vice-versa.

Acho que tem um pouco a ver com reciprocidade e a minha capacidade de sentir tudo mesmo que nunca possa ser real.

Abro os olhos e respiro fundo, encarando o teto do meu quarto, tentando não apagar da memória tudo isso que vi sobre nós dois, para poder escrevê-las.

Sinto o cheiro do seu perfume, que parece ter ficado impregnado em mim, penso no elogio que me fez essa noite referente ao meu novo vestido favorito branco com decote em v na frente, e estampa de folhas e listras pretas, pendurado na maçaneta da porta do guarda-roupas, e penso sobre como parece tão certo quando você está aqui, como nunca dá pra gente disfarçar.

Nós sempre nos encaramos e é isso, eu sinto isso e você também. Mesmo sem sabermos o que é exatamente, é a mesma coisa, e a minha sala de jantar parece tão vazia sem você aqui, e meu peito parece esmurrado quando você vai embora, e eu brilho um pouquinho menos quando você não está aqui para admirar.

Porque eu brilho e queimo para você, pra ver se você ultrapassa os seus noventa por cento e me põe no céu da sua boca, aonde eu desejo ficar.

Coloco a mão no peito, e agradeço solenemente a Deus por eu ainda poder sentir.
Porque eu ainda sinto.
Tudo.


Amem, Amém!

12 de fevereiro de 2019

Essa fotografia é sua? Se sim, entre em contato comigo para que eu dê os devidos créditos, a encontrei na reprodução do tio Google, espero que não se importe!



Não, você não precisa ouvir nenhuma música enquanto lê esse texto, só me escuta um pouco, que meu coração quer falar.

Eu tenho certeza de poucas coisas na vida, mas hoje eu quero falar sobre o fato de que Deus nunca nos deixa desamparados.

As notícias estão aí explodindo pra todo mundo ver, têm sido tragédia pós tragédia, e eu sei que é muito complicado não se abalar, já que além de tudo que acontece pelo mundo afora, também existe o caos que acontece aqui dentro.

Parece que está tudo desalinhado, fora do lugar, são muitas dores, desde os machucados depois de uma queda, até os entes queridos que perdemos nessa multidão de perdas.

Eu sei que não consigo mensurar a dor que os habitantes de Brumadinho estão sentindo, nem os pais dos jovens que morreram no incêndio no CT do Flamengo, ou como está a situação dos moradores do Rio de Janeiro, com toda a chuva, ou a dor que os familiares de Boechat e do piloto do avião em que ele estava devem estar sentindo também, nem a sua dor que eu também desconheço.

Porque é tudo muito extenso e intenso para quem sente, sempre machuca demais, fere, corrói, sangra e dói. Eu não faço a menor ideia do que acontece contigo, nem com as pessoas que estão a minha volta, não sei o que você sente, como sente, nem o que eu poderia fazer pra te ajudar.

Eu só gostaria de te lembrar que, mesmo com tudo isso acontecendo, com cada pequena dor, cada perda, cada pedacinho de si que é subtraído, e todos os fatores externos que podem estar te afetando,
é importante que você nunca perca a fé, e viva o hoje, aqui e agora.

A nossa vida é um sopro.
Nós estamos bem, e então não estamos.
Temos próximas as pessoas que amamos, e tão rápido como uma estrela cadente aparece no céu, não as temos mais.
Nós temos tudo, e então não temos nada.

Pode ser clichê, ou manjado, mas é sobre nós darmos valor ao que temos, no momento em que temos. Pedir perdão, por qualquer erro bobo que seja. Ser gentil, acima de qualquer coisa, porque nós nunca sabemos o que a outra pessoa está passando.
Como eu não sei o que acontece com você, e você não sabe o que acontece dentro de mim.

E, principalmente, isso é sobre a necessidade de demonstrar amor, em toda e qualquer oportunidade. Porque nós não temos garantia de nada.

Eu, por exemplo, estou aqui agora, escrevendo essa carta pra vocês, mas não sei se vou ter oportunidade de trazê-la a público, estou com um aperto no peito enquanto penso sobre isso tudo que está acontecendo no mundo e com as pessoas a minha volta, mas ainda assim tentando manter a cabeça erguida, enquanto rezo, pedindo a Deus por luz para todos nós, porque têm sido dias difíceis de suportar.

Porque é um mundo muito grande e bonito, mas também muito injusto.
Sejam vocês mesmos o carinho que esperam receber, deem amor, mesmo quando tudo que fizerem por você for o contrário, continue tentando...

E, acima de tudo,
Amem,
Amém!

Identidade poética

3 de fevereiro de 2019

Essa arte é sua? Se sim, entre em contato para que eu possa dar seus créditos, a achei na reprodução do tio Google, estava sem os dados do ilustrador, espero que não se importe, a utilizei porque me identifiquei! <3


Hoje o mercado artístico no Brasil é muito concorrido, as portas foram se abrindo e está um pouco menos difícil do que antes para aparecer, isso graças a internet. Mas, as formas e as coisas que precisamos nos submeter para estarmos em alguma posição importante, ser conhecido e ter o devido valor são muito complexas. Primeiro, porque é muito complicado encontrar pessoas que acreditem no nosso potencial e tenha condições de investir no nosso talento, e segundo porque é mais complicado ainda vender uma arte que todo mundo quer ver, mas não tem nada a ver com quem você é, a sua identidade e licença poética, e é sobre isso que escrevo hoje.

Vou falar sobre a minha experiência porque é melhor falar sobre o que eu sei, do que tentar me colocar no lugar dos outros sem saber exatamente como é.

Eu tenho um apego e preferência muito grande por músicas internacionais e a literatura inglesa, e já fui muito julgada por isso, porque, em muitas das coisas que escrevo fica explícito. Inclusive, já me julgaram porque utilizo muitas músicas em inglês quando coloco para que vocês possam ouvir enquanto leem meus textos. Escuto muito que eu deveria valorizar a cultura brasileira, as músicas, os escritores, os artistas que são da mesma nacionalidade que eu. E eu compreendo, ainda mais porque sinto na pele o que é a falta de valorização em diversos pontos sobre o mercado artístico brasileiro. Só que eu sou o que sou. E gosto de ser fiel a minha personalidade.

Eu gosto de ver que têm pessoas que aceitam e gostam do meu trabalho do jeito que ele é, com a minha cara, minha identidade, porque os meus livros e meus textos que publico aqui no blog, ou no facebook ou no instagram, são justamente uma releitura de mim. O que eu sou, o que sinto, o que gosto, e o que eu quero mostrar de mim para vocês.

Já falei muito sobre o amor, e acho que vou continuar por muito tempo, talvez sempre sendo julgada por ter esse jeito meio tolo de acreditar em algo que muitas pessoas já estão desacreditadas, mas eu sou assim, essa sou eu e eu sinto que essa é a minha missão: mesmo sendo julgada, ou mal interpretada, estou aqui dando sempre o melhor de mim, na esperança de que, com as coisas que escrevo, vocês possam sentir um pouco sobre o que é o amor, ou alguma coisa boa, como as que sinto e tento passar quando escrevo.

Então, eu aceito a culpa de supervalorizar a cultura inglesa, porque faz parte da minha identidade, e para mim está tudo bem fazer parte da cultura brasileira que é pouquíssimo valorizada. Porque eu prefiro ser eu, demonstrar quem sou, o que sinto, ser sincera sobre as coisas que penso, sinto e agradeço muito a Deus por este dom que Ele me deu e por vocês serem sempre tão carinhosos e abertos comigo, exatamente como eu tento ser com vocês.

Eu gostaria de falar também sobre um amigo super talentoso que tenho, porque ele entende muito bem o que escrevo aqui, porque é complicado fazer algo por obrigação, para agradar os outros, sendo que desagrada o seu coração, você não está sendo fiel ao que sente e quem você é.

Ele é um músico muito foda, super talentoso, toca guitarra e violão como ninguém, ele tem o feeling com a música, entende? E em uma oportunidade, ele me falou sobre que o que importa é justamente isso, o sentimento, o que ele sente e passa para as outras pessoas quando toca, e eu posso dizer com coração ou de forma crítica que você, com certeza, sentiria o mesmo que eu quando ouvisse ele tocando. O sentimento é puro, genuíno, é quase perfeito, só não o é porque acaba. E ele não sente a mesma coisa quando toca músicas que saem do seu perfil, da sua identidade, que fogem de quem ele é.

Por isso é importante demonstrar e ser sempre quem você é. Em algum momento, vão te pagar por isso, e não somente em forma de dinheiro.

Prefiro ser quem eu sou, e receber o pagamento em forma de carinhos, palavras encantadoras e elogios motivadores, do que ser uma pessoa que não sou e ser extremamente rica.

Eu acho que a melhor arte é aquela feita com o coração, seja ela em português, inglês, espanhol, ou em qualquer outra das seis mil, novecentas e doze línguas que existem.

Apenas seja quem você é, sempre.
Há espaço e amor para cada um, do jeitinho que são.

E eu sou grata pelo cantinho que vocês reservam no coração de vocês para mim.



Grande abraço,
de quem nunca vai deixar de ser verdadeira.
IASMIM SANTOS
LAYOUT POR LUSA AGÊNCIA DIGITAL