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8 de março de 2019

"Salve!" à mulher que somos



Ao término desse texto, ouça Beyoncé - Freedom e sinta o poder do amor.


Flores às que são de flores.
Doces às que são de doces.
Poemas às que são de poemas.
Músicas e danças para as que cantam e dançam.
Um brinde a quem o aceita.
E respeito a todas.

Desde a Revolução Francesa, e antes mesmo que isso, um brinde à nossas ancestrais que suportaram tanto sofrimento caladas, mudas, ou amordaçadas.

Salve às nossas mães, nossas irmãs, nossas tias, primas, amigas, avós... Salve às nossas ancestrais!
Salve a Leopoldina, Chiquinha, Rita Lobato, Deolinda;
Um brinde à Alzira, Lenk, Andion, Eunice, Júnia, Zélia;
Flores e abraços à Edmeia, Sarney, Benedita, Hipácia, Joana d'Arc;
Saludos a Rose Marie, Leila Diniz, Bertha Lutz, Virginia Woolf;
Um brinde à Ada Lovelace, Marie Curie, Pagu, Nélia Piñon;
Hallo a Simone de Beauvior, Coco Chanel, Beyoncé;
Saudações a Maria Quitéria de Jesus, Lua Leça, Ana Cañas;
Anauê para Dandara, Preta, Samara Braga, Bruna Meyer...

Um brinde a todas nós e à mulher que damos a luz!

Mesmo submissas a dor, ao sofrimento psíquico e físico, ao gaslighting e ao patriarcado, nós encontramos irmãs nas mulheres que sempre foram, realmente, nossas irmãs, então, acima de tudo, um brinde à sororidade e ao amor! Este mesmo que fecundou-se em nossos úteros, para que dessemos luz às mulheres resistentes e autônomas que somos hoje.

Respeito, acima de tudo, para sustentar que o que eu sou e escolho pra mim não anula em nada o que somos juntas e o que podemos fazer umas pelas outras, porque nossa luta e sofrimento de cada dia é sobre a forma que somos e respeitamos umas as outras. 

É sobre saber ouvir, estar, dar as mãos e não largar nunca, como tem sido nos últimos séculos. É sobre encontrar na história da outra uma luz para ressignificar o que somos, o que sofremos e o que almejamos. É sobre a mulher que somos umas para as outras.

E como a nossa luta é árdua, mas seguimos de cabeça erguida, batendo no peito porque "eu posso!", sim, porque nós somos capazes. Como fomos quando conquistamos nossa emancipação, nossos direitos de educação, inserção no mercado de trabalho, poder ser eleita no governo, ter e dar a voz, de trabalhar fora do lar, aos esportes e ao voto, porque sempre tivemos voz e potencial para mostrar que somos mais, mesmo aquelas que optam em estar em casa, cuidando da família, porque é tudo sobre a nossa liberdade, o nosso direito de escolha, e como precisamos respeitar isso.

Como também precisamos respeitar a nossa humanidade e o nosso sagrado, lutando, persistentes, contra todo e qualquer tipo de violência, porque se não o fizermos, quem fará por nós? Quem falará por nós em algum jornal sobre as denúncias, os índices, os números que ora se multiplicam e ora diminuem? Quem falará? Como falou com voz firme todas as nossas ancestrais que morreram para nos dar o direito a voz que temos hoje?
Somente nós mesmas.

Então, não nos calemos nem permitamos que o mundo nos amordacem novamente, porque, acima de tudo, estamos juntas.

Hoje é mais uma data em que comemoramos o nosso dia, mas se realmente o ressignificarmos, veremos que a nossa voz não tem se calado há décadas, e estamos falando cada vez mais alto, com a cabeça erguida, com o peito cheio de orgulho, embora mergulhado na dor de perdermos tantas irmãs, e seguirmos firmes, porque é exatamente o que cada uma delas faria.

Então, um brinde à todas que o desamor matou enquanto você lia esse texto, e à todas que juntam a voz a minha para dizer que:

Um brinde à mulher que damos a luz: o feminismo!