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20 de maio de 2019

Sobre a escritora que sou (ou a cronista que vive em mim)

via tumblr


Tudo o que eu vejo, escuto e sinto... todas as coisas que estão a minha volta, como o barulho da chuva torrencial que cai lá fora, ou o friozinho que entra pela janela, ou minhas costas que doem por estar há muito tempo na mesma posição escrevendo, até o início desse parágrafo que fala sobre quem eu sou e a minha forma de ver as coisas, as pessoas e o mundo, me fazem quem eu sou: a escritora, a cronista, que faz poesia de tudo, e escreve sobre tudo querendo que a essência de cada coisa seja de amor.

Às vezes, é sufocante sabe, ser alguém que sente tudo... todas as coisas me enchem de ideias e sentimentos e emoções, é como um caleidoscópio onde tudo se multiplica e eu preciso ter muito foco para organizar as minhas ideias, cada uma, como também os meus sentimentos e as consequências e os problemas que me causam.

Eu já escrevi e disse isso muitas vezes, mas eu sempre aceitei a dualidade de ser alguém que sente muito, sente tudo... seja as coisas boas, como as ruins ou as consequências, são essas coisas que me provam que estou viva, que continuo aqui, que ainda sou eu...

Ano retrasado, tive um bloqueio criativo de oito meses, foi horrível porque eu via as coisas, lia, sentia, tocava, e não conseguia de forma nenhuma externalizá-las, colocá-las no papel. Eu tinha a ideia toda projetada na minha mente, o texto do início ao fim, mas quando sentava diante da folha branca ou da tela do computador ou do celular, eu era preenchida por um blur que ainda não consegui entender ou definir e não conseguia escrever, exorcizar os sentimentos para fora de mim.

Hoje eu agradeço por aquele momento, deve ter sido necessário, minha mente precisou daquele descanso, meus dedos, mãos e coluna também, foi um descanso necessário, embora eu não tenha gostado nenhum pouco de como a rotina tinha tomado conta de minha rotina e todo o meu tempo livre estava se reduzindo a zero.

Eu agradeço porque aprendi a lidar, quando estou assim, me sinto dessa forma, eu só coloco alguma música para tocar no celular, ou vejo algum vídeo ou filme e tento manter a calma e aproveito para descansar dos meus sentimentos que me mastigam tanto.

Então, é isso, a escritora que eu sou me define como alguém que sente e vê cada pequena coisa e tenta extrair a poesia, para mostrar para as pessoas o mundo de uma forma diferente da habitual e grotesca, movida pela massa de informações, notícias e novidades (ufa, a todo o tempo) que nos impede de ver e valorizar as pequenas coisas.

Eu não.
Eu vejo, sinto, ouço, toco, aproveito, valorizo tudo... porque eu estou aqui, agora e não tenho garantia de nada, só que o farol do carro que vem a minha frente está alto, me impede de ver o que está a minha frente claramente, e realça o brilho do castanho dos meus olhos.

Porque eu sinto muito.