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@babe

4 de março de 2019

essa foto pertence aos personagens desse texto ♥


Você pode ler ouvindo Zayn Feat. Sia - Dusk Till Dawn 


De presente de copeira para a vida, eles se encontraram no escritório de advocacia. A copeira disse para ele que tinha algo no escritório que ele precisava ver, e quando chegou lá, com seu jeito todo estabanado, encontrou-a.

Ela com o coração que não cabe no corpo e com a alegria iminente exibida em cada sorriso espremido na sua boca de batom vermelho, com todos os seus sentimentos expostos nos seus olhos castanhos escuro que parecem um mar, que todo o mundo iria querer nadar, porque ela é intensa assim, sentimento purinho, e os que não sabem nadar, acabam aceitando a opção de afogar-se e ter cada partícula do corpo preenchida pelo amor que ela é, porque é viu, ela é todinha amor.

Ele, com sua barba bem feita, seus dentes branquinhos e seus lábios rosas, o cabelo estilo john mayer, um sorriso que morde e conquista qualquer mulher, e um jeito espontâneo, estabanado e ingênuo de ser e ver as coisas e o mundo a sua volta. Ele age como se não quisesse impressionar, mas é difícil não tremer na base quando você o vê pilotando a moto, a cento e quarenta quilômetros por hora, com um capacete extra a tira colo, salvando os casos em que precise dar carona a alguma moça bonita.


Foram tardes excitantes no escritório de advocacia, em discussões sobre coisas totalmente nada a ver com o trabalho, em que ele pedia conselho às meninas presentes e ele era o único rapaz da sala, levantando o dedo no meio da tarde e pedindo se podia perguntar uma coisa, fazendo-se presente. E ela o notou.

Foram inúmeros bilhetes em post-it, carinhos tipo o Walter que é o corujinha de pelúcia, o cactus Brutus que foi comido por vários gatinhos, e a Rainbow que é o novo cactus, o bebê arco-íris deles dois... Coisas assim, despretensiosas, que não conseguiam esconder, de jeito nenhum, o que saltava pra fora deles.

Do escritório e dos post-its para o refúgio que o apê em Tower Center e o abraço dele se tornou, e para as declarações de amor em cartas métricas que os olhos entregavam um para o outro, quando se olhavam por dez ou vinte segundos, ao desviar o olhar da tela do computador, só para se encontrar um pouco, e sorrir ao perceber que estavam ali, desde o primeiro momento.

Ele a conquistou de forma leve, tirando-lhe sorrisos e gargalhadas, mostrando-na como as pessoas podem ser únicas, incríveis e sinceras sobre si mesmas e sobre o mundo, com uma ingenuidade quase inacreditável, e ela só acreditou porque viu isso nele.

Ela o ganhou com sua voz e seus olhos que ficam miúdos quando está com sono, com o abraço e o toque reconstrutor que ela tem, como se ela fosse capaz de refazer todos os pedaços que ele havia quebrado dentro de si, e ele sempre quebrou-se mais do que deveria, e ela estava lá, com todo o coração e amor que tem dentro de si, simplesmente assim. Ela estava lá.

Eles se tornaram amigos, amantes, refúgio. Construíram um paraíso particular, um mundo secreto para eles dois. O segredo que eles nunca poderiam contar e seus corações nunca seriam capazes de esquecer.

Eles são os personagens mais bonitos da vida real, porque eles escrevem cada página e dão ponto continuativo em todo parágrafo na esperança de que a vida dê chance para que eles dois continuem vivendo essa história que construíram juntos, desde a copeira até quando eles, finalmente, deram o primeiro beijo, ansiosos e com corações excitados demais para baterem em compassos normais, até que quando ela desceu do colo dele, precisou de um time para recuperar o fôlego.

Então são cartas de amor métricas, post-its, carinhos, abraços, beijos, crises, choros... e o medo. Medo de precisar dizer adeus algum dia, medo de eles não serem o depois do "felizes para sempre" mas sim o antes, e o livro estivesse chegando ao final.

E eles precisariam se despedir da copeira, dos amigos em comum, dos momentos e das lembranças, como as vezes em que eles pularam amarelinha na quadra próximo ao apartamento dele, ou como eles cantam alto assim dentro do apartamento e ficam imaginando que os vizinhos pensam que os dois são loucos, e talvez o sejam mesmo, um pelo outro, se desfazer também da vez que surtaram e descontaram na moto, a cento e quarenta quilômetros por hora e era ela a mocinha atrás, gritando a plenos pulmões sobre como a vida pode ser tão bonita e injusta ao mesmo tempo.

Porque agora ela o tem, e talvez seja só até agora. Talvez o livro esteja acabando, e depois de ele ter surfado tanto no castanho dos olhos dela, depois de ela ter sido o perfeito motivo para o capacete extra, eles terem sido o refúgio, o amor e o presente um do outro, eles precisariam dizer adeus.

Sem nenhuma palavra, pra não doer tanto.
Ou com todas as palavras do mundo, para ver se dói menos e o livro não acaba.
Porque a lembrança da boca dele na dela, nada vai apagar.
E seus corações nunca...
nunca vão esquecer.

(...)

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Eu poderia ter terminado esse texto com o "the end", deixaria vocês imaginando se a história deles continuou depois do fim do texto ou do que aconteceu entre eles, ou fazer vocês pensarem que isso foi só uma história que inventei e quis que acabasse assim, porque a vida é muito sobre isso, ter tudo, e de repente não ter nada.

Mas, eu preferi me manter exatamente como eu sou: a observadora, não sei absolutamente de nada, e foi um desafio muito grande escrever esse texto.

Tirem suas conclusões.

Esse é o projeto "Monday - conte sua história e ela virará poesia" - toda segunda escrevo sobre a história de alguns de vocês aqui no blog, quem sabe a próxima história é a sua?

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IASMIM SANTOS
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