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Eu sou pra quem tem coragem, e você foi um covarde

24 de junho de 2019

Via Tumblr/Essa foto é sua?



Eu engoli os meus sentimentos e fiquei com azia durante dias, porque isso não é do meu feitio, nunca engoli choro, nem quando era pequena e minha mãe falava pra engolir. Eu sempre fui manteiga derretida, senti tudo e falei, gritei, esperneei, escrevi e contei exatamente o que estava sentindo, em cada momento. Mas, eu precisei fazer diferente dessa vez. Você me forçou engolir meus sentimentos.

Eu me engoli porque eu tinha sido antropocêntrica demais, você pode me chamar de egoísta, de impulsiva ou de qualquer coisa parecida, vá em frente, eu realmente não me importo, porque o que eu fiz e faço é simplesmente seguir meu coração. Em relação a tudo.

Talvez por isso a minha azia esteja tão pesada assim, porque isso são os meus sentimentos voltando, querendo sair, isso sou eu mesma lembrando quem eu sou, e mesmo que eu tenha me tirado da história um pouco, ela sempre foi sobre mim e meus sentimentos gritantes.

Eu quis deixar você como o narrador, só pra te entender, te ouvir, dei o papel e a caneta pra você escrever alguma coisa que não fosse o que eu imaginava ou pensava que você poderia estar sentindo ou pensando em relação a tudo.

Eu aceito as tuas condições e tudo o que você disse, menos os teus julgamentos, eu os entendo, mas quando eu percebi que você era um cara diferente, pensei que você também era diferente das outras pessoas, mas, tudo bem, vou tentar não falar muito sobre isso. Só quero vomitar um pouco, sabe.
Pôr tudo pra fora, porque já foram cinco dias engolindo cada sentimento puro que eu tive por você, e toda a dor e tristeza que você deixou em mim fizeram a minha azia queimar muito.

Porque você teve coragem de me julgar por eu ser quem eu sou, do jeito que sou, e sentir tudo livremente. Inicialmente você me ouviu, me tocou, me sentiu, esteve comigo, sem em momento nenhum lembrar da verdade que batia na nossa cara o tempo todo, como o tic-tac do relógio, embora a gente não percebesse nem falasse sobre, estava lá.

E, você então decidiu que era errado, que não deveria ter deixado a coisa toda ter chegado a tal ponto, e eu fiquei sem entender, porque você decidiu complicar o que sempre foi simples demais.

Na verdade, as pessoas fazem isso, complicam tudo, e isso é mais uma coisa que me mostra que você pode sim ser um cara diferente, mas não deixou de estar enraizado a “brotheragem” e ao patriarcado tanto quanto qualquer outro.

Pra mim é tudo muito simples.
Quer fazer? Faz.
Tá sentindo? Demonstra.
Quer sentir? Cola junto porque eu sempre fui adepta da reciprocidade, em especial, sobre devolver as pessoas exatamente o que elas me dão.

Tipo esse vômito aqui, é sobre o lixo emocional que você me deixou, acho justo devolvê-lo a você.
E eu não queria ser grossa ou falar sobre sentimentos pejorativos, porque eu gosto de falar sobre as coisas boas da vida, e as lições que nós podemos tirar do que acontece de ruim, só que você me plantou muito amor e depois tocou fogo em tudo, sabe. Você estragou tudo, e eu deixei.

Foi tudo muito intenso e bonito, eu não me importo se foram coisas que eu inventei, criei, ou alimentei, só sei que foi tudo muito bom, mesmo que fosse só metade de você, e parte de mim ainda tenta entender porque eu aceitei a tua metade, sendo que eu sempre idolatrei os inteiros, não sei, acho que foi suficiente, sabe.

Os sentimentos que você tinha por mim, e eu por você. Mesmo que os seus fossem só os noventa por cento e os meus infinitos e gritantes, foi suficiente, sabe. E eu adorei cada pequeno momento que tivemos juntos, você tocou o meu coração e alma, sem sequer ter tocado o me corpo.

Eu nunca nem tive a oportunidade de sentir o gosto dos teus lábios, ou sentir o calor da tua pele morena nua. Mas, sempre foi suficiente, e eu volto a te dizer: eu não confundi sentimento nenhum, sempre soube e distingui muito bem o que eu sentia por você.

Só que você escolheu ser só mais um no meio da multidão, mesmo que a sua singularidade seja tão bonita e certa pra mim, você escolheu negar, omitir, e o pior, me julgar sobre quem eu sou e os meus sentimentos. Que sempre foram livres. Estridentes e intensos. Inclusive os que senti por você. Na verdade, os que ainda senti. O fato de eu ter dito o que você queria ouvir, só pra não te perder, não quer dizer que eu minta pra mim também.

E prova disso é o que escrevo, os sentimentos que vão e voltam no estômago, e o vômito que tá jorrando das minhas vísceras.

Porque você me plantou e me regou todos os dias, cuidou de mim e me mostrou que eu era capaz de muitas coisas, como quando eu cantei os meus sentimentos em um pedestal que você fez pra mim, e ninguém nunca tinha me encorajado a cantar do jeito que você fez. E eu cantei, e você tocou pra mim, fosse o violão, solos de guitarra, teclado, o meu coração, ou minha alma... você me tocou.
E é esse o extremo do problema. Nunca ninguém conseguiu isso antes.

Mas, tudo bem, posso me acostumar com isso, talvez demore um pouco a espalhar as cinzas do amor que você construiu em mim (propositalmente ou não, você o fez), e, pela primeira vez em toda a minha vida, mesmo com essa azia queimando no meu peito, as cinzas impregnadas na aorta do meu coração e com todo esse vômito que te escrevi, eu me engulo inteira.

Porque você nunca quis saber o gosto de me ter (eufemismo para: você nunca quis me comer).


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IASMIM SANTOS
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