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Eu me engoli

20 de julho de 2019

Via Tumblr/ Essa foto é sua?


Eu deveria estar no meu home office vulgo minha cama na companhia dos meus cadernos e papéis de carta, gastando todas as catorze ideias que listei sobre o que escrever, mas, estou cantando músicas enquanto tomo banho, sinto a água descendo na minha pele, e penso em como é tão complicado ser assim, sentimento puro, intenso e entregue.

Porque nunca ninguém entende, e todo mundo sempre julga, porque não sente como eu sinto.

Eu ativei o modo sad girl, e dei play na minha playlist super bad só para tentar exorcizar esse sentimento de mim, porque já o alimentei por tempo demais, ele cresceu tanto que está quase me engolindo inteira.

Enquanto organizava alguns documentos, encontrei um antigo mapa cardíaco do meu futuro que fiz anos atrás em uma dinâmica do trabalho, e eu percebi que tenho feito exatamente as coisas que eu queria fazer. “Mapa cardíaco do meu futuro” porque o essencial era que eu sempre colocasse meu coração em tudo que eu fizesse, e eu o fiz. Em tudo. Inclusive em relação a você.

Acho que por isso está sendo tão complicado levar as coisas de forma tão racional agora, porque eu coloquei meu coração inteirinho nisso que eu inventei, desejei e sonhei pra nós dois, e está sendo complicado encarar a realidade de que não importa o tamanho ou a intensidade do que eu sinta, mil vezes zero será sempre igual a zero.

O que sinto está quase me engolindo porque continuo pensando nas possibilidades, no que poderíamos ser se você também se permitisse, a forma como eu cuidaria de você se você me permitisse entrar e te bagunçar inteiro, virar sua cabeça e coração pra baixo, só pra você ver do que eu sou capaz quando eu reorganizasse tudo com amor em cada cantinho de você.

É louco, eu sei, mas estou ouvindo músicas como die in your arms e young and beautiful e cantando-as como se fossem para você, completamente boba e fora da realidade.

O sentimento já está me mastigando, e você nem pode saber do meu atual estado, deitada na cama, de cabeça pra baixo, com uma camisa de botões, meias até o joelho, observando meu mural de inspiração, e encarando o guardanapo com a marca de batom que eu fiz só pra te dar, e não o fiz, talvez nunca o faça.

Em mim, além disso tudo, você me deixou uma interrogação, por causa daquele bilhete em que escreveu seu nome com minha caneta vermelha, a data e eu lembro claramente da tarde, do momento exato, e do seu sorriso olhando pra mim quando escreveu o “pra sempre...!” logo embaixo. Não há nem um agora pra nós dois, como haveria um pra sempre?

Talvez você tenha se assustado, é normal, as pessoas não estão acostumadas em conhecer pessoas como eu, elas sempre fogem. Acho que você percebeu a proporção que a coisa toda estava tomando, e ficou com medo, ou sei lá o que aconteceu. Qualquer coisa aconteceu e você foi embora, antes mesmo de tentar.

Pode ser uma forma de me poupar de um sofrimento de ter só metade de você como o John Mayer foi para a Taylor Swift, eu realmente não aceitaria só metade de você.

Quer saber mesmo?  Essa sou eu sendo engolida pelo o que eu inventei e me deixei sentir, pelas possibilidades que nunca existiram e pouco provável que um dia vão existir algum dia.

Só estou escrevendo, gastando tempo, palavras, dedos e tinta, tentando pôr pra fora tudo isso, apagar sua existência da face da terra, do meu mundo, deletar você de mim. Mas, você têm sido como o sol que me acorda todos os dias, e não, você nem está na minha cama, eu não acordo com a cabeça no teu peito quente, aninhada na tua clavícula, você só está aqui dentro de mim.

E eu me engoli.

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IASMIM SANTOS
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