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Em homenagem a tudo aquilo que eu não pude sentir #1

27 de novembro de 2019


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Eu queria ter chorado mais. Ter aproveitado o seu colo e o seu abraço, por todas as vezes que engoli o choro, quando podia ter desabado e me deixado ser acolhida por seus braços, que sempre me trouxeram segurança e fizeram-me sentir em casa.

Eu queria ter aproveitado cada pequeno segundo do seu lado.
Gostaria que eu tivesse percebido a imensidão que cada milésimo se tornava toda vez que você estava aqui comigo.

Eu queria ter gravado o som da sua voz, para que sempre que eu sentisse sua falta eu pudesse reproduzi-lo, para sentir um pouco o seu timbre próximo a minha orelha.
Eu queria que você tivesse sussurrado o meu nome no meu ouvido, porque quando você me chama, reaviva cada molécula que existe em mim, e eu queria lembrar de ser viva assim. Como era quando você estava aqui.

Eu queria ter beijado mais. Por todas as vezes que eu sonhei com o gosto dos seus lábios.
Ou por todas as vezes que não pude beijar você.

Eu queria ter ficado contigo, ao invés de te enviar uma mensagem de texto, falando sobre como eu faria qualquer coisa para estar com você agora. Eu queria ter ficado.

Pra mim, naquele momento, estava tudo bem manter a pose, fingindo que nada acontecia, e postergando cada sentimento que queimava no meu peito. Estava tudo bem. Mas, não agora.
Não aqui, nessa noite chuvosa e com toda a inspiração de escrever o que ninguém sabe, nem imagina, muito menos vai saber um dia.

Mesmo que eu seja tão intensa e entregue, eu já mastiguei tantos sentimentos a seco, no frio, e eles estão transbordando agora pra fora de mim: torrenciais e fortes.

A parte mais difícil é lembrar do castanho-mel que seus olhos têm e como eles adornam perfeitamente com seu sorriso cheio de intenções, e sua sobrancelha direita erguida. Eu lembro do seu olhar tão nitidamente que quase sinto você me olhando de volta. Mas, então eu sou bombardeada com todos os motivos para "não", é como se tivesse me tornado um saco de pancadas, em alguma academia cheia de lutadores prontinhos para me cobrir.

Logo eu, que sempre fui tão intensa e entregue, nunca imaginei que escreveria uma carta tão cheia de desejos e vontades reprimidos, mas aqui estou. Isso me faz lembrar das poucas vezes em que vi você tocando violão, e como me machucava por dentro, querer ser eu quem estava sendo tocada por você. Não sei o que é pior: sofrer por algo que nunca teve, ou por algo que não pode nunca mais ter.

Eu lembro da sua expressão quando te perguntei se ainda estávamos nos divertindo: era a mesma minha, sabíamos que não e que, se continuássemos, nos machucaríamos muito. Mas, nenhum dos dois estava disposto a se deixar ir. Porque, embora você nunca tenha sido de admitir, você também é sentimento igualzinho a mim.

É exatamente por esse motivo que pego o celular e ligo para você:
Dane-se que são quase uma da manhã, dane-se que amanhã você trabalha cedo. Eu só quero saber que você tá aí, do outro lado, me ouvindo chorar e respirando fundo porque eu te acordei, você está muito cansado, mas está aqui comigo.

- Eu sou um saco, não é? - Pergunto, tentando engolir o choro.

- Eu faria qualquer coisa pra estar com você agora. - Você diz.

(Continua)

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IASMIM SANTOS
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